"Malala, a menina que queria ir para a Escola" chega à Feira do Livro

"Como o Talibã se atreve a tirar meu direito à educação?". O questionamento é da menina Malala, então com 11 anos, em discurso público. Ela viu seu país ser invadido pelos talibãs que, de quebra, ainda decretaram que as meninas não podiam mais estudar. Ficou muito triste ao ver mais de 400 escolas destruídas. Mais tarde, usando um pseudônimo, escreveu um blog para a BBC contando ao mundo como era sua vida durante a ocupação.

Em 2012, Malala foi atingida por um tiro disparado da arma de um Talibã. E sobreviveu. Mais do que isso: mostrou ao mundo a importância de não se curvar contra o radicalismo e a violência. Virou exemplo de superação e de luta.
A pequena guerreira é a personagem do livro-reportagem para crianças "Malala, a menina que queria ir para a escola", de Adriana Carranca. A jornalista foi uma das atrações do último dia da 33ª Feira do Livro de Canoas na tarde deste sábado (8). "As crianças e jovens têm muita curiosidade sobre a vida da Malala antes do acidente. O livro mostra que ela sempre foi de não se lamentar pelos cantos e ir à luta, principalmente quando se sentia injustiçada", ressalta.

Malala ganhou o Prêmio Nobel da Paz e continua sua luta, mesmo fora de seu país de origem. "Malala é anti-Cinderela, uma menina que aprendeu o seu valor e não queria se realizar pelo casamento, como todas as outras de sua tribo no Paquistão, mas por si própria e pela educação", conta Adriana. "É muito importante que as crianças e jovens conheçam sua história, ela sofreu o atentado e conseguiu sobreviver, mas outras meninas morreram e acabaram sendo esquecidas", completa.

Adriana também salienta que Canoas, habitualmente dividida pela linha do trem, fica unida por meio dos livros. "Quer coisa mais bonita? Essa é a grande magia da leitura, ela provoca viagens incríveis e aproxima pessoas de qualquer lugar do mundo em torno do livro. Parabéns Feira do Livro de Canoas, estou muito feliz por fazer parte dessa festa", frisa.

Mais sobre a escritora

Adriana Carranca é jornalista. Escreve principalmente sobre conflitos, tolerância religiosa e direitos humanos, com olhar especial sobre a condição das mulheres. É colunista dos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo e repórter, além de colaborar com publicações internacionais. Esteve na Síria e Iraque, para reportagem especial sobre a guerra e a crise dos refugiados. Antes disso, cobriu extensamente a guerra no Afeganistão e Paquistão, onde estava quando o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, foi morto em uma operação dos EUA.

Também recebeu o Prêmio Esso, menção honrosa com a série de reportagem "Guerras da África"; duas vezes o Prêmio Líbero Badaró, na categoria reportagem internacional, com "Sudão do Sul: a guerra esquecida"; e o grande prêmio, com a série "Coletânea da guerra no Afeganistão" e sete edições do prêmio Estado de Jornalismo.