O Seminário Estadual de "Divulgação do Acervo da Luta Contra a Ditadura", aberto na manhã desta quinta-feira (11) em Canoas, faz parte das atividades que marcaram os 41 anos do Golpe Militar de agosto de 1964. O evento que tem como mensagem "Para que ninguém se esqueça, para que nunca mais aconteça" busca conscientizar a comunidade, principalmente estudantil, sobre as conseqüências de um sistema ditatorial, bem como, traçar um panorama sobre a atual situação brasileira.
Promovido pela parceria entre Prefeitura Municipal de Canoas, Governo do Estado e Comissão Acervo da Luta Contra a Ditadura, o seminário reuniu cerca de 200 pessoas no prédio da Câmara de Indústria Comércio e Serviços (Cics) de Canoas. O evento contou com a participação de autoridades municipais, estaduais e de nomes como o de João Carlos Bona Garcia, João Aveline e Ignez Serpa, que vivenciaram a repressão de 64.
Na abertura do evento, o presidente da Comissão do Acervo da luta Contra a Ditadura, João Carlos Bona Garcia, parabenizou o prefeito Marcos Ronchetti pela iniciativa e coragem de realizar e oportunizar debates sobre um período como a ditadura. "Agora estamos tendo a possibilidade de falarmos sobre um assunto que ainda hoje causa medo nas pessoas que vivenciaram aquele período", argumenta Garcia. Ele antecipou que Canoas é a primeira cidade a sediar o evento que percorrerá também outras cidades do Estado.
Durante o pronunciamento do secretário de estado substituto da Cultura, Victor Hugo Alves da Silva, ele contou um pouco de sua trajetória como músico e as repressões que ele e os artistas de sua época sofriam e afirmou que "mesmo com a bagunça do cenário político nacional, nenhuma ditadura será melhor que a pior democracia". Em seguida o secretário de estado da Educação, José Fortunatti, tomando como exemplo os noticiários veiculados nos últimos dias sobre os 60 anos da bomba atômica que destruiu as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, argumentou que o Seminário é um momento de aprendizagem que deve ser utilizado com a mesma finalidade. "Não queremos aflorar feridas ou buscar vinganças do que passou. Queremos sim resgatar o passado para não repetir isso nenhuma outra vez no futuro", frisou Fortunatti.
Encerrando os discursos o prefeito destacou a importância do município na área do conhecimento, apontando a cidade como um município pensante, por outro lado afirmou que embora a cidade esteja em uma área de segurança nacional, vários registros de pessoas desaparecidas foram feitos durante o período da ditadura. "Temos certeza que com a revitalização da memória deste tempo estaremos fortalecendo a democracia em nosso país, embora saiba que alguns brasileiros, como os sem teto, os sem comida e os emprego, ainda hoje vivem um tipo de ditadura", ressaltou Ronchetti.
A primeira apresentação do seminário foi o painel Ditadura: História ou Esquecimento, apresentado pelos painelistas, professor e historiador da UFRGS, Enrique Serra Padrós, e a socióloga Lícia Peres. A tarde os participantes assistiram o vídeo "1964 - Golpe ou revolução" e o depoimento de ex-presos e perseguidos políticos.
Paralelo ao evento está ocorrendo, no Arquivo Público Dr. Sezefredo Azambuja Vieira, a mostra "Documentos do Acervo da Luta Contra a Ditadura". A exposição que iniciou no dia oito, se estende até sexta-feira (12) e pode ser visitada das 8h às 17h. A mostra reúne documentos particulares e públicos que atestam atos oficiais daquele período, bem como painéis que contextualizam a história da ditadura no Brasil.