A chuva e o mau tempo deste sábado (10) não foram empecilho para Eliane e Nelson Câmara. Os dois saíram de casa, no bairro Niterói em Canoas, com um único objetivo, casar. Há 30 anos vivendo sob o mesmo teto o casal teve a oportunidade de regularizar a situação civil. Eles e outros 79 casais receberam em uma grande festa a certidão de casamento.
Para Eliane (47), que até aquele momento assinava o nome de solteira, acrescentar o sobre-nome do marido representa a felicidade e alegria de suas três filhas. "Esta certidão vai permitir que os documentos de nossas filhas sejam alterados e elas passarão a ser filhas de pais casados", revela. O marido, Nelson (53) conta que há muitos anos vivia separado da primeira esposa, porem, como na época em que conheceu dona Eliana ainda não era divorciado e as meninas acabaram sendo registradas como filhas de pai casado e de mãe solteira, o que sempre lhe causou desconforto. "Agora não teremos mais este problema. Elas finalmente ter terão o que sempre sonharam", revelou Nelson.
O ato que teve direito a buquê, bolo de noivos, shows de couvers de Roberto Carlos e de Elvis Presley, presentes e padrinhos ilustres como o prefeito, Marcos Ronchetti, o vive-prefeito, Jurandir Maciel, o presidente da Câmara de Vereadores, Nedy de Vargas Marques, e o diretor-presidente da Corsan, Victor Bertini, é uma iniciativa pioneira da Prefeitura de Canoas que visa a possibilitar a normatização civil de casais de baixa renda.
A cerimônia que teve a participação de aproximadamente 700 pessoas foi realizada com o apoio de várias empresas da iniciativa privada e do poder judiciário. O matrimônio dos 80 casais ocorreu no ginásio do Sesi. Os juizes de Paz da 1ª e 2ª zona foram os responsáveis pelo casamento. Os casais foram divididos em dois grupos, sendo 40 para cada lado a fim de agilizar a cerimônia que durou cerca de três horas.
Para o prefeito, Marcos Ronchetti, a iniciativa faz com que pessoas que já estão unidas pelo elo do coração e do amor possam regularizar sua situação diante das normas da Lei civil. "As dificuldades econômicas são muito grandes. Várias vezes as pessoas são obrigadas a optar por aquilo que no momento é mais imprescindível, deixando de lado o sonho e até mesmo o seu direito enquanto cidadão", argumenta. Segundo Ronchetti o 1º Casamento Solidário foi um projeto piloto da Secretaria de Assistência Social e Cidadania que deu certo e será utilizado como modelo para os próximos. O prefeito não revelou se os casamentos serão anuais ou semestrais, porém afirmou que "quando uma idéia dá certo não tem porque parar".
A seleção dos casais ocorreu no final de julho. Para se candidatar era necessário apresentar comprovante de renda inferior a três salários mínimos e viver a pelo menos 12 meses em união estável. Os 80 casais fazem parte dos mais diferentes bairros da cidade. Eles foram selecionados, através da ordem de inscrição, em uma lista de aproximadamente 150 casais