Os resultados da implantação do Programa de Infância Melhor (PIM), em Canoas, já são comemorados no município. De acordo com a coordenadora do programa em Canoas, Jane Dalacorte, que apresentou os dados do programa no I Fórum Mundial de Saúde, o número de gestantes diminuiu 30%, no terceiro trimestre de 2004 (outubro a dezembro) em comparação ao primeiro trimestre de monitoramento do programa naquele ano (abril a junho). (ver quadro).
Após um ano e três meses da implantação e a nove meses de monitoramento, o programa atende 800 famílias, em Canoas, envolvendo 4.432 pessoas dos bairros Getúlio Vargas, Mathias Velho e da Vila Natal. Conta com 32 visitadores, sendo que cada um atende 25 famílias. Vale destacar que há também quatro monitoras e cada uma delas têm sob sua supervisão 8 visitadores. Além disso, há cinco técnicos representando as secretarias envolvidas que formam o grupo técnico municipal que atua na assessoria.
A iniciativa tem como objetivo a promoção do desenvolvimento integral das crianças na faixa etária de zero a sete anos e gestantes, com ênfase no período de zero a 3 anos. Canoas se consolidou como projeto-referência do Estado e salienta diversas conquistas alcançadas pela comunidade como realização do pré-natal pelas gestantes; diminuição progressiva de gestantes; acompanhamento de mães e bebês nas consultas após parto, nas vacinas, no controle de peso e altura e no desenvolvimento; e incentivo do aleitamento exclusivo. Além disso, não houve nenhum registro de morte de bebê após o nascimento no período nessa área de atuação do programa.
O trabalho diário é estruturado com o visitador que faz, no mínimo, uma visita semanal para cada família. A estratégia é dividida em três modalidades: individual (priorizando gestante e as famílias com crianças de zero a três anos), grupal (em que há oficinas pedagógicas para famílias com crianças entre três e sete anos) e comunitária (em que são feitas oficinas de construção de materiais e brinquedos com materiais reciclados, reuniões de avaliação do programa com as famílias, realização de palestras com temas importantes para as famílias), além de passeios e festas. O planejamento das ações é feito nas segundas-feiras; todas as terças-feiras há capacitação dos visitadores e nas sextas-feiras ocorre a avaliação semanal. "É um programa fascinante, porque propicia a nós, técnicos, levar o conhecimento científico a estas comunidades e transformá-los em ações do dia-a-dia para melhorar a qualidade de vida destas crianças e famílias", ressaltou Jane Dalacorte.
Além disso, foi desenvolvido, em 2004, pelo Programa um trabalho de pesquisa, coordenado pela enfermeira Neiva Amaral, em que uma equipe multidisciplinar (uma psicóloga, uma enfermeira, um médico e um professor) trabalhou a temática em uma escola municipal. O estudo envolveu quatro etapas. Num primeiro momento, reuniram-se com a direção da escola para apresentar o material que seria trabalhado na escola; depois mostraram as informações para os pais; numa terceira oportunidade encontraram-se com alunos os quais tiveram que responder, anonimamente, a um questionário sobre sexualidade. Após essas ações, foi proferida uma palestra conforme as dúvidas da turma, além da abordagem geral sobre o assunto.
"O resultado deste projeto piloto, que reuniu 644 alunos, nos deu a certeza de que a sexualidade tem que ser trabalhada o mais cedo possível. Constatamos que há falta de preparo e de conhecimento sobre o assunto. Observamos que o estudante questionava os pais, que não abordavam o tema; então, recorria para a professora que também não solucionava as dúvidas e, por último, compartilhava com o melhor amigo que tinha tão pouco conhecimento quanto ele próprio. Está na hora de a família e as escolas estarem preparadas e terem o conhecimento para dar respaldo aos filhos e alunos", salientou Neiva.
Abril a Junho/ 2004 => número de gestantes: 83
Julho a Setembro/ 2004 => número de gestantes: 78
Outubro a Dezembro/ 2004 => número de gestantes: 56