A experiência e os resultados do programa Primeira Infância Melhor (PIM) de Canoas serão apresentados no 5º Congresso Internacional de 1ª Infância e Educação Pré-Escolar no México durante os dias 25 e 28 de maio. A apresentação será feita pelo secretário estadual da Saúde, Osmar Terra, que levará um case de Canoas.
De acordo com o secretário municipal de Saúde, Jurandir Maciel, o programa foi implantado no município, a fim de alcançar a integralidade do ser, por meio do estímulo da afetividade, do desenvolvimento dos sentimentos entre mãe e filho, durante a gravidez e, após o nascimento do bebê, até os três anos de idade. "Neste período se dá a construção neurológica que sustentará a capacidade da criança de interagir de uma forma saudável com o meio em que vive", frisou.
Com a implantação do programa, há dois anos em Canoas, houveram grandes transformações na vida de muitas pessoas. Para a família de Antônio Oliveira, de 37 anos, e Rosemeri Arno de Oliveira, de 29 anos, moradores da rua Chico Mendes, no bairro Mathias Velho, o PIM foi um divisor de águas. "O programa mudou a nossa vida", salientou Rosemeri, ao lembrar que por meio das orientações da monitora Miriane Zeilnan Brum e da visitadora Marlene Rocha Dorneles aprendeu a enxergar a vida de outra maneira. Ela conta que a família passou muitas dificuldades, devido a uma crise financeira, não tendo nem alimento para sustentar os filhos. "Você não sabe o que é passar um Natal com quatro filhos pequenos, a esposa grávida e não ter o que comer em casa. Eu me trancava no banheiro e chorava", desabafa Antônio.
Quando Rosemeri estava com cinco meses de gestação, começou a fazer parte do PIM e passou a receber orientações durante as visitas. "Conversamos muito sobre vários assuntos. Elas já fazem parte da nossa família. Esperamos ansiosamente o dia da Miriane e da Marlene nos visitar. Aprendemos muito com elas e com o PIM", ressalta. Rosemeri informa que antes da implantação do programa, ela não tinha paciência com os filhos, não trocava carinho e não dialogava com as crianças. Além disso, Rose lembra que passou por uma depressão pós-parto, o que a afastou das pessoas e dos filhos. Aos poucos, foi recebendo informações e mudou sua visão em relação ao mundo. "Comecei a ver que havia possibilidade de buscar outras coisas e ocupar a mente com situações positivas. Além disso, optei em ter mais diálogo com meus filhos e com meu esposo", relatou Rosemeri.
Na avaliação da monitora Miriane, é muito gratificante acompanhar a mudança dos beneficiados com o programa. "Às vezes, é necessária uma ajuda de alguém de fora para ver que é possível fazer as coisas acontecerem", destaca. Hoje, Miriane e Marlene festejam as mudanças proporcionadas por meio do PIM nesta família. Após um ano, Antônio montou um serviço de reciclagem e tem seu próprio negócio, o que os ajudou a mudar a realidade difícil em que viviam. "Não quero nem lembrar. Era um sofrimento muito grande. As dificuldades eram muitas. Conseguimos, agora, ter nosso ganha pão e não quero perder isso", salienta Rosemeri, emocionada.