A Secretaria Municipal de Obras Públicas (SMOP) mantém regularmente os serviços de limpeza das valas de macrodrenagem, que servem para captação e escoamento da água da chuva, evitando assim, alagamentos na cidade. A Vala do Leão, localizada na rua República, é um desses locais, exigindo que a limpeza seja feita a cada seis meses. Apesar da manutenção, os técnicos da prefeitura estão preocupados com constante depósito de lixo, móveis, pneus, animais mortos e resíduos nas valas feito pela população. Tal comportamento é o causador direto da situação, ocasionando desconforto e mau cheiro, entre outras ocorrências.
A realidade é constatada no dia-a-dia da comunidade. Morador do local há 25 anos, o aposentado Adão de Lacerda, diz que "a vizinhança joga lixo na vala, a toda hora, e a gente não pode fazer nada". Já Benjamim Mello, que mora há 26 anos no lugar, afirma "que as pessoas deixam de esperar pela coleta do lixo para atirar desde armários, até animais mortos na vala". O operador de máquinas, Jorge Maciel, que trabalha na limpeza do canal, confirma a informação : "diariamente durante a limpeza, a gente enche 15 caminhões com lixo. Tem de tudo, sofás, bichos, e lixo em saco plásticos",pondera. A coleta de lixo regular acontece três vezes por semana na rua República.
Preocupado com o hábito existente , o secretário titular da SMOP, Gilmar Pedruzzi, lembra que as valas, construídas na década de 70, sofrem com a falta de conscientização de alguns moradores : " A quantidade de lixo retirada das valas é inacreditável. As pessoas tem que evitar jogar lixo no canal, pois acaba virando um valão, o que não a função do mesmo". Pedruzzi lembra ainda que se todos os moradores cumprissem o que determina a legislação, a situação seria diferente. " As valas estão virando um grande canal de esgoto, o que poderia ser evitado com a instalação de fossa e filtro aeróbico nas residências, que servem para tratamento do esgoto cloacal", diz ele.
Sobre a vegetação que cobre a beira das valas, o secretário é enfático. " A vegetação serve como material natural de purificação do ambiente. Os aguapés limpam a água, enquanto que o gramado das bordas evita a erosão e proliferação do mau cheiro", salienta.
Em Canoas, existem outras valas, que acompanham o trajeto dos diques de contenção, e algumas que cruzam a cidade, como a da Irineu de Carvalho e a da Inconfidência. Sobre o fechamento da vala do Leão, Pedruzzi afirma que é prioridade da atual administração, dependendo unicamente da liberação de recursos para a obra por parte do Governo Federal e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o que já foi solicitado.