Idéia é ampliar o acesso dos canais para atrair novos empreendimentos
Os estudos para a implantação do novo Plano Diretor de Canoas, que está sendo elaborado pela Secretaria Municipal de Planejamento Urbano (SMPU) em conjunto com a comunidade, já começam a demonstrar formas alternativas para o desenvolvimento econômico do município. Dos itens apontados pelo estudo, a utilização do acesso hidroviário é dos que mais têm chamado a atenção do poder público municipal, que busca formas de viabilizar a utilização desse recurso. Contribui para concretização da proposta, o fato das divisas municipais estarem em rotas de navegação e transporte de cargas como fertilizantes, gás liquefeito de petróleo e derivados de soja.
Atualmente, já existem empresas instaladas na cidade que utilizam o caminho fluvial para escoar seus produtos, ou receber matéria-prima. Elas concentram-se na margem do rio Gravataí, na divisa com Porto Alegre, e também em um terminal no rio dos Sinos. Além destas, o projeto de instalação de Plataforma Logística no bairro Mathias Velho, colaborará para a valorização do meio de transporte hidroviário. Neste projeto, estão previstos a instalação de terminais ferroviários, rodoviários e um terminal portuário no bairro Mato Grande.
A Prefeitura recebeu, recentemente, proposta da Superintendência de Portos e Hidrovias do Estado, (SPH) que autoriza a retirada de 200 mil metros cúbicos de material do fundo dos rios em canais de navegação. O trabalho de dragagem - que deverá ser executado pela SPH - será feito no rio Gravataí e no Arroio das Garças, contribuindo para o aumento do calado desses pontos. Desta forma, haverá acréscimo na capacidade de transporte dos navios que circulam por esses rios e, conseqüentemente, maior movimento de carga pela hidrovia, o que hoje está limitado devido ao assoreamento do canal.
O material retirado, que consiste em areia e barro, conforme análises, será destinado para o aterro de áreas baixas na cidade, voltadas a projetos habitacionais. Este acordo garantirá economia para o município, que atualmente compra aterro para o serviço.
A situação de navegabilidade do rio dos Sinos também está sendo pensada. Atualmente, o tráfego de embarcações pelo rio é prejudicado pela ponte ferroviária, que é muito baixa, porém, técnicos da Prefeitura estão em negociação com a companhia gerenciadora da estrada de ferro, para discutir a possibilidade de instalação de uma ponte móvel no local.
Conforme a assessora de Engenharia e Urbanismo da SMPU, Rosi Bernardes, o processo de dragagem dos canais abre a possibilidade de instalação de novas indústrias que queiram utilizar o transporte hidroviário como alternativa logística. "A perspectiva é muito boa, pois o acesso fluvial, alinhado à futura instalação da Rodovia do Parque, alavancará o desenvolvimento do lado oeste da cidade, de forma sustentável, partir do acesso fluvial ", completa.
Para o secretário de Planejamento Urbano, Oscar Escher, a expectativa de tornar viável os empreendimentos citados, só contribuem para consolidar a força econômica do município no cenário Estadual. "Somos o segundo PIB do Estado, com uma vocação empreendedora e desenvolvimentista" finaliza.
Técnicos da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e da Superintendência de Portos e Hidrovias estão em fase de negociações para viabilização dos trabalhos de dragagem, e à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) cabe conceder a licença ambiental da operação.