As diferentes culturas são apresentadas pelos moradores descendentes das famílias formadoras do município.
Italianos, portugueses, alemães e africanos cantando em uma só voz a tradicional canção italiana 'América' e a espanhola 'Mercedita'. Este foi o cenário encontrado por quem visitou o galpão da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC), no Parque Eduardo Gomes, na tarde desta quinta-feira (14/9). No local, servidores usando as vestimentas das várias culturas apresentavam objetos, bibliografia, fotografias e curiosos registros das quatro principais etnias presentes em Canoas : italiana, alemã, portuguesa e africana. Segundo a coordenadora do Departamento de Cultura, Ivone Frare, cada grupo juntou objetos, fotos, receitas de pratos típicos, livros e demais relíquias de família. " As pessoas trouxeram da própria casa a história do nosso Estado, o que é fantástico", comemora a diretora.
Com um vestido rendado branco e turbante na cabeça, Angelita Medeiros mostra a foto exposta no mural. É dona Castorina, a primeira negra a se casar no cartório de Canoas. " É um orgulho mostrar para as pessoas o início da nossa família, que muito contribuiu para o carnaval canoense, sendo pioneira em certos costumes hoje adotados pela nossa comunidade", comemorou ela. No recanto destinado à etnia africana, os destaques ficam por conta da influência da religião na cultura gaúcha, a corajosa trajetória dos negros e o toque do atabaque até hoje presente nos terreiros. " É ótimo ter a oportunidade de trazer a cultura afro-descendente para a Semana Farroupilha, que neste ano abriu as portas para os negros", salienta Angelita.
O material exposto resulta de pesquisa detalhada feita por cada grupo. Entre as curiosidades, estão as formas diferentes de saborear o mesmo alimento. O exemplo típico é a morcila, que é comida com pão e polenta pelos italianos, sendo acompanhada de rabada na mesa dos portugueses e servida como salsicha bock pelos alemães. Brinquedos, jogos - como Cinco Marias - danças típicas -como o pezinho - ditados e provérbios são algumas das contribuições dos portugueses adotadas pela cultura gaúcha.
Através das famílias Verona, Carbonera, Frare, Comel e Gheller, os italianos mostram sua cultura presente no pampa. São relíquias de famílias, terços denunciando a religiosidade italiana, a estátua de Santo Antônio e o cultivo de produtos agrícolas. A imagem somente dos homens chamam a atenção no mural da família tipicamente italiana, que não permitia a presença das mulheres nos registros fotográficos. " As mulheres não podiam ficar mais de 10 minutos sem ocupação, para não pensarem em bobagem", lembra Mercedes Carbonera, ao confeccionar, sem parar, uma peça de crochê.
Como as diferenças são o alicerce do corajoso e trabalhador povo gaúcho, a confraternização de etnias celebra o espírito da Semana Farroupilha. " O retorno às origens da família, o resgate de sua cultura, que tem que ser passada de geração para geração, asseguram a continuidade de um povo", enfatiza Maria de Lourdes Monteiro, descendente de família portuguesa.