As doenças mentais são uma das principais preocupações nos ambientes de trabalho em todo o mundo. A Organização das Nações Unidas (ONU) projeta que, na média de 15 anos, as principais causas de adoecimento serão as enfermidades psicossomáticas, principalmente o stress, a depressão e o uso de drogas. Como forma de prevenção, o Serviço de Capacitação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Gestão de Recursos Humanos (SMDGRH) realizou, nesta quinta-feira (21/9), o VI módulo de treinamento "Stress no Trabalho", direcionado aos supervisores das Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município. Em torno de 20 colaboradores receberam orientações para identificar e gerenciar conflitos, como prevenir o stress e o trabalho sob pressão, além de participarem de dinâmica e momentos de relaxamento.
Segundo a psicóloga e coordenadora do Serviço, Marlei Zarpelon, o servidor, assim como todas as pessoas, é vítima dos condicionamentos da sociedade, cultura e educação. "O stress sempre existiu, nossos antepassados da pré-história já vivenciavam situações como estas, que hoje já detectamos", destaca marlei. Ela explica que o stress é uma resposta de adaptação de nosso organismo frente a qualquer estímulo, sendo assim um mecanismo necessário e natural de auto-preservação. "O problema atual está no desequilíbrio entre dois reflexos básicos: luta e fuga e o relaxamento", complementa a coordenadora, considerando que os indíviduos atualmente sofrem do stress cibernético. "Esta é a síndrome da fadiga da informação: muitos canais, jornais, livros, fatos, reuniões e e-mails. Das pessoas que compram livros, apenas 10% terminam de ler", complementa Marlei.
Para este módulo, a Prefeitura está contando com o apoio da Ulbra no processo de treinamento, que disponibilizou o psicólogo Adriano José Teiga para auxiliar na consultoria. Ele informa que há três estágios de stress: alarme, adaptação e exaustão, que podem ser associados a outros transtornos como acne, dores de cabeça, aftas, fobias, alterações sexuais, ansiedade, obesidade, podendo chegar ao infarto, morte súbita e suicídio. "Há estratégias para administrar o problema: adequar-se a dietas, exercícios físicos, relaxamento, diversão, trabalho interessante e grupo de apoio", afirma, alertando que é impossível eliminar o stress, já que é ele quem dá energia vital e impulsiona a rotina das pessoas.
Adriano teiga esclarece que muitas pessoas adoecem devido a problemas mentais que afetam o corpo: "Muitos indivíduos chegam as Unidades Básicas de Saúde (UBS) com um 'vazio interior' e não enfermos fisicamente", aponta o psicólogo, alertando que os doentes recorrem a ingestação exagerada de alimentos, bebidas e drogas para solucionar o problema.
O supervisor da UBS Niterói, Eloir Antônio Vial, identifica o treinamento como atividade fundamental e avalia que o mesmo deve ser estendido aos demais profissionais da saúde, para assim obter um resultado mais profundo e abrangente. "As capacitações integram os servidores e qualificam a assistência, contribuindo para o ambiente de trabalho e serviço prestado ao usuário", afirma Vial. A colaboradora da UBS Mathias Velho, Marlene Leote Lopes, salienta que o treinamento contribui com o relacionamento entre os colegas e pacientes. "Também consigo passar o que aprendo para as pessoas que atendo. Então há uma melhora em 80% na acessibilidade entre as relações interpessoais", completa a supervisora Marlene.
Na ocasião, o coordenador do Comitê Humaniza Canoas da Secretaria Municipal da Sáude, Carlos Alberto de Azevedo, divulgou as ações de Políticas de Humanização para o setor da saúde. "Nosso dever é apresentar ao usuário o trabalho solidificado de humanização do atendimento e acolhimento dos pacientes. Também é importante mostrar que o serviço não é da Prefeitura, mas da população e dos moradores dos bairros", esclarece Azevedo.