Esquecida em função da atenção a outras doenças mais complexas como a diabetes e o colesterol, a anemia volta a ser tema de discussão e preocupação dos governos e da sociedade acadêmica. O mal silencioso, causado por deficiência de ferro, é responsável por subnutrição infantil e baixo desenvolvimento físico e mental, atingindo cerca de 42,2% das crianças e 35,4% das mulheres das classes mais baixas no Rio Grande do Sul, de acordo com um levantamento estabelecido pelo programa Criança Sem Anemia, desenvolvido pela UFRGS e Associação dos Amigos da Hematologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
Nesta quarta-feira (27/9), profissionais da Secretaria Municipal da Saúde(SMS) participaram de palestra sobre o tema. Ministrada pela coordenadora do Criança Sem Anemia, Lúcia Silla, a palestra levou esclarecimentos aos agentes envolvidos na saúde pública e a comunidade em geral, a fim de alertar sobre a importância da erradicação do problema e difundir as medidas preventivas.
Durante o encontro, que ocorreu no auditório da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC), houve a apresentação de dados sobre a anemia e referência sobre a nova determinação do Ministério da Saúde, que em maio de 2005 publicou a Portaria nº 730, instituindo o Programa Nacional de Suplementação de Ferro, destinado a prevenir a anemia Ferropriva, causada pela carência da substância no organismo. A intenção, explica a palestrante, é trabalhar a educação dos profissionais e da comunidade para o enfrentamento da doença.
Segundo dados do Ministério da Saúde, a anemia é um problema grave de Saúde Pública, que consiste na deficiência nutricional de maior magnitude no mundo, acometendo todas as fases do ciclo de vida. O órgão ainda informa que no Brasil em torno de 50% das crianças menores de 5 anos e 30% das gestantes são atingidas. No mundo, 2 bilhões de pessoas apresentam a doença, o que representa 30% da população mundial.