Escola Nelson Paim Terra está localizada em região de empresas produtoras de gás
Dentro do projeto Educação para Defesa Civil nas Escolas - Preservando Vidas com Ações Preventivas, a Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec) realizou, nesta quarta-feira (04/10), uma ação especial: a simulação de evacuação de prédio causada por incêndio na Escola Municipal Nelson Paim Terra, no bairro Rio Branco. A escola foi escolhida por estar localizada em uma comunidade de elevado risco, devido à existência de engarrafadoras de GLP (Gás Liquefeito). Conforme o coordenador da Comdec, Márcio Kauer, o bairro está mais suscetível a incêndios. Ele lembra que, em 2001, a empresa Liquigás, que se encontra neste mesmo local, pegou fogo, sendo necessário isolar a região. A equipe da Comdec, com o apoio de agentes de trânsito, da Guarda Municipal, além do Corpo de Bombeiros, executou a operação, que contou com a participação de mais de 700 pessoas.
A iniciativa Educação para Defesa Civil nas Escolas atinge dez unidades municipais, que, há um ano, desenvolvem um trabalho teórico-pedagógico com seus alunos para a prevenção e orientação. As simulações são as atividades práticas do projeto, que segundo sua coordenadora, Nara Trapp, foi estimulado devido à falta de conhecimento da população exposta a situações extremas de risco. "Queremos desenvolver nos cidadãos uma cultura prevencionista, que leve a um comportamento seguro de preservação da vida", declara Nara. Em cada escola integrante do projeto, há um professor coordenador, que trabalha abordando os perigos que envolvam, além de incêndios, plantas tóxicas, produtos químicos, remédios, fogos de artifício, eletricidade e escadas.
O resultado, para Márcio kauer, foi positivo, já que a Nelsom Paim Terra é uma escola grande, com dois andares. "A evacuação ocorreu em 2 minutos, tempo que está dentro dos padrões", afirma ele, lembrando que todo o procedimento, contando desde o sinal de alarme, evacuação da área até a chegada dos bombeiros, consumiu 8 minutos. A empresa Sulgás esteve acompanhando a operação, que foi avaliada por árbitros da Comdec. "Todos estiveram bem engajados no processo. O comportamento maduro dos alunos, principalmente dos mais pequenos, é a resposta ao nosso trabalho", disse Kauer, ressaltando que, assim, a população e os estudantes se sentem mais seguro sabendo que um órgão supervisiona o local.
"Foi mais tranqüilo do que esperávamos. Foi muito importante a simulação porque a população já conhece este realidade", considerou a diretora da escola, Rochele Vargas Soares. Ela ainda salienta que os alunos não sabiam do horário, o que criou uma situação mais real. A comunidade foi informada e estava ciente da ação, evitando o pânico. A moradora do bairro Rio Branco, Cleunice Lopes Mello presenciou a simulação: "É muito importante para que nossos filhos saibam o que fazer em caso de emergência. Nos preocupamos porque, durante o dia, estamos trabalhando e não temos como estar por perto", complementa Cleunice, mãe de David, 8 anos. "Gostei muito de participar e quando acontecer de verdade não vou sair correndo, seguirei a professora onde ela for", comenta David.
Segundo o capitão da Sessão de Combate a Incêndio do 8º Comando Regional de Bombeiros, Ari Chaves, é registrado mensalmente em torno de 30 ocorrências em Canoas, sendo as casas de madeira, os pontos mais propícios. Ele esclarece que o Corpo de Bombeiros está sempre preparado para checar as ocorrências, mas que o objetivo principal deste trabalho é treinar o corpo docente das escolas, além de instruir a comunidade através dos alunos. O capitão explicou que a periodicidade de incêndios varia conforme a estação do ano. "No verão, por causa da seca, há muitos casos de fogo em mato e lixo, chegando a cinco ocorrências diárias. Já no inverno, o foco são as residências, onde os incêndios são ocasionados por curto-circuito em aquecedores", explica o oficial.
Quanto às empresas engarrafadoras de gás do bairro, o capitão afirma que todas seguem lei estadual de prevenção, fiscalizada pela Sessão de Combate a Incêndio do Corpo de Bombeiros. "Eles devem cumprir as normas que prevêem a aquisição de extintores, sistema hidráulico, além de pessoas capacitadas para este tipo de caso", alerta, falando da importância da distância de residências e das paredes corta-fogo.