Prefeitura e entidades parceiras lançarão campanha para a repressão do abuso sexual
Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SMASCI), a situação da violência doméstica contra a criança e o adolescente é alarmante: anualmente, 12% das 61 milhões de crianças brasileiras, menores de 14 anos, são vítimas de alguma forma de violência. Em Canoas, dos 4,8 mil casos registrados pelo Serviço Especializado no Atendimento a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência (Sacav), 89% são de maus tratos e de violência doméstica e 60% de abuso sexual. De acordo com o diretor do Departamento de Assistência Social da SMASCI, Martim Ahler, a partir do IV Encontro Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil, que aconteceu na última sexta-feira (27/10), o Departamento pretende articular parceria, além da já existente com a Secretaria da Saúde, com a Educação e Cultura. O objetivo é reverter a situação, através de trabalhos preventivos nas escolas.
Combate
Como forma de reduzir as ocorrências de abuso sexual, a Prefeitura já implantou em novembro do ano passado, o programa federal Sentinela, que atende às vítimas de violência e seus familiares. A Prefeitura ainda irá lançar a Campanha de Prevenção à Violência na primeira semana de dezembro, através da Rede Canoas Cuidando Vidas, composta por 30 instituições governamentais e ONGs. Os abrigos, em parceria com o Judiciário também estão fazendo sua parte no combate à violência sexual: "A partir deste ano, as vítimas de violência no município já estão sendo interrogadas de forma diferenciada. O Depoimento Sem Dano ajuda para que crianças não sejam expostas e intimidadas pelo abusador", esclarece Martim, explicando que técnicos, de forma adequada, questionam as vítimas no lugar do juiz, evitando a exposição das mesmas. O diretor afirma que, conforme a sentença do juiz, as crianças ou adolescentes são destituídas do pátrio poder e encaminhadas para os abrigos municipais Renascer ou Raio de Sol. "A administração está preocupada com esta questão e sempre busca alternativas para minimizá-la, pois as projeções nacionais são chocantes: a Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência alerta que, para cada quatro meninas, uma será abusada antes de completar 18 anos. Já entre os meninos, um em cada seis sofrerá violência sexual", sentencia.
Encontro
Hildegard Godinho, integrante do Serviço de Proteção à Criança e ao Adolescente, representou a SMASCI no encontro estadual, que discutiu temas como a função do adulto protetor; a visão atual da infância e adolescência; a construção de políticas públicas eficazes; a capacitação de professores, pais e alunos e a atuação da sociedade através da denúncia. Segundo Hildegard, primeiramente, é preciso acabar com a cultura pedagógica "apanhando que se aprende" e quebrar o mito do falso zelo, em que as pessoas procuram não se envolver, nem questionar sobre a violência sexual.