O trabalho resultou na inutilização de 2 mil quilos de carne e prisão de 6 pessoas
Um abatedouro clandestino, que funcionava em uma antiga residência, foi descoberto na manhã desta quarta-feira (22/11), na Prainha do Paquetá, localizada no bairro Mato Grande, em Canoas. O local faz parte de um dos roteiros mais freqüentados pelos canoenses em épocas de calor. A ação conjunta entre a Prefeitura e a Brigada Militar é resultado de uma denuncia anônima à corporação.
Segundo a Vigilância Sanitária do município, foram apreendidos cerca de duas toneladas de carne de quatro bovinos abatidos de forma irregular e que seriam distribuídas. "O produto, sem considerar as condições de higiene onde estava depositado - sobre um assoalho de madeira e rodeado de moscas - e a forma como era manuseado - sem nenhum tipo de proteção, como luvas e aventais - estava com temperatura superior a 27º", diz a fiscal do Departamento que acompanhou a ação, Denise Dias.
No local, a polícia militar prendeu seis pessoas. Duas mulheres, um menor e três homens. Entre os maiores de idade, a Brigada identificou Ronaldo Nascimento Paim, o Preto. "Ele tem passagem pela polícia por homicídio e é um dos maiores abigeatários da região", disse o sargento do 15º BPM, Edson Jesus Lopes Bitencourt. A Brigada acredita que os animais sejam fruto de abigeato e tenham sido trazidos de Porto Batista, 4º Distrito de Triunfo. Para levar a carne até o local, os presos fizeram a travessia pelo Rio dos Sinos, utilizando dois barcos que já estão sob a guarda da BM.
A ação contou ainda com o suporte de um avião Ximango da polícia militar, utilizado para localizar os dois fugitivos, que haviam escapado pela mata. Na busca dos foragidos, a Brigada encontrou ainda, cerca de 12 gaiolas com 26 aves silvestres, que estavam em uma das residências próximas ao local. Os pássaros nativos da fauna brasileira foram encaminhados ao zoológico de Sapucaia.
A investigação da origem e destino do produto está sendo apurada pela 4a Delegacia de Polícia do município, que apreendeu, no local, documentos, telefones celulares e ferramentas utilizadas no corte da carne. Quanto aos dois mil quilos de produto, a Vigilância Sanitária de Canoas informou que foram inutilizados e conduzidos ao lixão municipal.
De acordo com a diretora da Vigilância Sanitária de Canoas, Rosa Maria Groenwald, a população, principalmente nesta época de calor e com a chegada das festas de final de ano, deve ficar ainda mais atenta na hora de adquirir carne. "É preciso verificar se o estabelecimento possui alvará de saúde", alerta Rosa. Ela diz que a prática do abigeato é um problema bastante sério à saúde pública. No caso de denúncias sobre comércio irregular de alimentos a comunidade deve ligar para o telefone 3476-2447.