A nova lei já é realidade em muitas escolas da rede municipal de ensino
A ampliação para nove anos do Ensino Fundamental levou, na tarde desta quinta-feira (23/11), diretores, vices, supervisores e orientadores de todas as 42 escolas da rede municipal de ensino de Canoas ao salão da Igreja São Luiz. No primeiro dia do encontro de equipes diretivas, promovido pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC), ocorreu a explanação de pontos referentes à reforma da proposta didático-pedagógica, legislação e regulamentação da nova diretriz instituída pelo Ministério de Educação e Cultura (MEC). O encontro, que foi coordenado pelo Serviço de Estudos e Pesquisa do Ensino Fundamental - SEPEF da SMEC, segue nesta sexta-feira (24/11), no mesmo local, das 8h30min às 17h. Os temas abordados serão os planos de estudo para reestruturação do currículo e a nova proposta didático-pedagógica.
Os principais trabalhos apresentados enfocaram o letramento e a alfabetização. Segundo a diretora do Departamento de Ensino Fundamental, Raquel Souza, somente seis escolas municipais precisam adaptar-se ao novo sistema - Max Adolfo Oderich, Rio Grande do Sul, Rondônia, Odette Oliveira Freitas e Nancy Pansera. Atualmente, cerca de 1,8 mil alunos com seis anos de idade freqüentam 37 escolas de rede municipal. "A lei que determina a ampliação não é totalmente nova, já que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, previa a matrícula de alunos com seis anos desde que sobrassem vagas", explica Raquel. Com isso, antecipadamente, o município desenvolveu ações como a formação de alfagrupos, que resultará na construção, pelos próprios professores, da nova proposta didático-pedagógica a ser implantada no próximo ano em toda rede municipal.
A capacitação continuada dos professores, propiciando a atualização dos mesmos, fomenta discussões sobre as mudanças da Educação, facilitando a adequação à nova lei. Para o primeiro ano está sendo previsto o letramento - trabalho desenvolvido com o que as crianças trazem de casa em um espaço lúdico e recreativo. "Fica mais tranqüilo para o professor, que terá a responsabilidade do alfabetizar somente no segundo ano", comenta Cínara Souza da Costa, diretora da Escola João Paulo I, que já trabalha com alunos de seis anos. "A gente avalia o que também está sendo positivo para o aluno, que se prepara gradativamente para um aprendizado mais completo", complementa a diretora.
Para a supervisora da Escola Municipal Rio Grande do Sul - uma das cinco instituições com oito anos de Ensino Fundamental -, Iraci Bortolon, a adaptação deve chegar com a ampliação da estrutura da escola, que possui, atualmente, 350 alunos em cada turno. Mas, ela lembra que os professores já estão sendo capacitados e os pais, informados. "Considero positiva a alteração, pois quanto antes a criança começar a aprender, mais cedo será a sua socialização. O gosto pela leitura também será adquirido com mais facilidade", destaca Iraci.
Para finalizar o encontro, o detalhamento da lei, que regulamenta os nove anos de Ensino Fundamental, foi exposto e as dúvidas dos participantes, sanadas. Entre as questões levantas, a mudança da proposta de trabalho, devido ao acréscimo de um ano no currículo escolar do aluno, foi a mais debatida, pois esta se refletirá no que será ensinado nas demais séries. Outro ponto identificado foi a idade mínima para a realização das matrículas, que serão destinadas às crianças de seis anos, completos até 28 de fevereiro.