Movimento, que aconteceu durante todo o dia, buscou conscientizar sobre os riscos da degradação dos recursos hídricos
A situação da água e dos recursos hídricos de Canoas, além do alerta para evitar a degradação total do Rio dos Sinos, foi apresentada à população canoense nesta sexta-feira (24/11). O Ato Público em Defesa das Águas, que aconteceu no calçadão da cidade, objetivou conscientizar a comunidade sobre o papel de todos na preservação desses recursos naturais. Para isso, a equipe coordenadora do evento apresentou uma exposição com 20 painéis, contendo fotos da nascente, a história e a situação atual do Rio dos Sinos, além de amostras de água em estado vísivel de poluição, coletadas nos mananciais. A necessidade de tratamento do esgoto doméstico também foi lembrada, uma vez que este é um dos principais fatores poluentes nos rios. Todas as pessoas envolvidas na organização vestiam roupas pretas, sinalizando luto pelo que estava à mostra.
Desde o início da manhã, a atividade chamava a atenção de quem circulava pelo centro da cidade. Além da exposição fotográfica, uma sala de estar completa atraiu a atenção das pessoas. Eram sofás e poltronas em estado de deterioração, que foram retirados dos rios Sinos e Gravataí em serviços de limpeza realizados pelo Departamento de Esgotos Pluviais da Secretaria Municipal de Transportes e Serviços Públicos (SMTSP).
Na ocasião, representantes de diversas entidades do município realizaram a distribuição de folders e material educativo sobre a questão ambiental. Uma pesquisa questionando o que acontece com a água que vai para o esgoto e suas conseqüências na natureza, além da origem da água que consumimos e a necessidade de cuidados com o lixo foi feita com a população. Durante o dia, mais de 400 pessoas responderam ao questionamento. Muitos deixaram sugestões e mensagens por escrito anexado em um mural, sobre as formas de melhorar a situação dos rios.
As pessoas que transitaram pelo local aprovaram a iniciativa e mostraram-se surpresas com o que estava exposto. Foi o caso da professora Márcia Bittencourt, 42, que se mostrou indignada com a porção de água do Rio dos Sinos que lhe foi apresentada. "Isso aí deve fazer mal para as pessoas. Temos que fazer algo para mudar isso", afirmava, lembrando que a conscientização e os cuidados com o lixo é o caminho a ser seguido. Da mesma forma, a advogada Juliana Schenkel observou que até mesmo os banhos nos locais com a água em tal estado de poluição são perigosos. "Não tinha noção da qualidade da água de nossos rios", observava.
A partir das 15h, o público foi convidado a expressar sua opinião, expondo sua inconformidade com a situação das águas. Entre os apelos, a necessidade de conscientização de todos sobre um bem natural tão frágil foi destacado. Os cuidados para não transformar os rios em valos e a denúncia de irregularidades ambientais aos órgãos competentes foram saudadas como sugestões. A população foi convocada a estar atenta e fiscalizar, junto com entidades e poder público, as possíveis ocorrências de degradação ambiental.
No final do evento, um grupo formado por representantes de entidades do município, autoridades e a população formaram um círculo em volta do tablado onde estava a mostra de água do Rio dos Sinos e, de mãos dadas, entoaram a canção "Planeta Água", de Guilherme Arantes. As opiniões e sugestões coletadas no evento, juntamente com o resultado da pesquisa, servirão para os coordenadores da atividade medirem o nível de conhecimento da população sobre o assunto e disponibilizar informações para ações de prevenção ambiental.