Com o objetivo de combater à prática da esmola, integrantes do programa Agente Jovem, acompanhados por monitores e oficineiros, estiveram na tarde desta quarta-feira (13/12), nos principais pontos do centro da cidade, abordando condutores e pedestres e distribuindo o papel-moeda "Não dê esmolas, dê um caminho" - material informativo com o mapa do Centro de Referência da Criança e do Adolescente. Profissionais da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SMASCI), Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e Conselho Tutelar também participaram da ação, intensificando ainda a fiscalização da exploração do trabalho infantil. A atividade contou com a fixação de cartazes em locais próximos aos pontos de exploração.
Segundo a coordenadora do Serviço de Proteção à Criança e ao Adolescente, Maristela Mignot, a iniciativa foi desenvolvida nesta época porque as pessoas ficam mais sensibilizadas no período natalino e estimulam a arrecadação de dinheiro por parte de crianças e jovens. Porém, de acordo com a coordenadora a população deve entender que há outras formas de ajudar o próximo. Ela acredita que esta oportunidade possibilita aos jovens conhecerem outras formas de vencer na vida. "Quanto mais esmola se dá, mais tempo os jovens permanecem na rua", argumenta Maristela, salientando que os atrativos da rua, como a esmola, estimula os indivíduos a deixarem o lar, a escola e até mesmo, a própria comunidade. A coordenadora diz que a ação será intensificada até o término do ano e mantida em 2007. Os integrantes do agente Jovem estão sendo capacitados periodicamente para contribuir com a atividade.
Para Rogério da Rocha Alves, 15 anos, integrante do programa há 6 meses, o trabalho tem a finalidade de incentivar a população a não dar mais esmolas. "É muito importante não dar dinheiro aos pedintes porque as pessoas pensam estar ajudando, mas estão, na verdade, incentivando o uso de drogas", comenta, contando que alguns de seus conhecidos utilizam este meio para manter o vício. Ele ainda revela que há 3 anos pedia dinheiro nas ruas para ajudar em casa, mas depois de ingressar no Agente Jovem mudou de idéia sobre o tema e abandonou as ruas. Letícia Oliveira da Silva, 17 anos, participa das atividades há um ano e dois meses, e para ela a prática de pedir esmolas é um meio fácil de arrecadar renda. "Muitos se acostumam e acabam não aprendendo quais as melhores formas de lutarem por si mesmos", comenta. A integrante fala que uma das maneiras de alcançar os sonhos é participar do Agente Jovem. "Temos palestras e conversas em que trocamos experiências e falamos de quem já passou pela rua", conta. Para a garota, quem está no programa tem tudo nas mãos, só precisa saber aproveitar.
Conforme dados da SMASCI, a maioria das crianças, que sofrem exploração de trabalho infantil em Canoas, é oriunda de outros municípios da Região Metropolitana, como Sapucaia, Esteio e Alvorada. O Conselho Tutelar tem registrado cerca de 20 crianças pelas ruas da cidade.
Assim como o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), o Agente Jovem tem a proposta de retirar os jovens da rua. A iniciativa atende jovens com idade entre 15 e 18 anos, de diferentes bairros de Canoas. O Departamento de Assistência Social encaminha ao programa, jovens que apresentem aspectos como vulnerabilidade social e situação de risco. Para participar das atividades, como oficinas de terapia, marcenaria, artesanato e Hip-Hop, os integrantes devem estar matriculados em uma instituição de ensino e apresentar a referida freqüência às aulas.