Com pouco mais de um ano em funcionamento, o zoológico municipal de Canoas, localizado no Parque Municipal Getúlio Vargas, atualmente, além de abrigar 157 animais de 53 espécies da fauna brasileira, tem acolhido diariamente filhotes de animais silvestres, encaminhados pelo Ibama. Desde 2005, quando chegou ao local o primeiro filhote de lontra, com dois meses, o zoológico, segundo o Ibama, tem sido referência no Estado no cuidado destes pequenos animais. Com o sucesso na reabilitação da lontra, o espaço direcionado à maternidade tem sido cada vez mais solicitado e, com isso, se tornou pequeno para as demandas. Por isso, um dos principais projetos do zôo canoense para este ano é ampliar as instalações da ala maternal para aprimorar o trabalho em benefício do desenvolvimento dos animais.
De acordo com a analista ambiental do Núcleo de Fauna do Ibama/RS, Cibele Indrusiak, todos os zoológicos do Estado recebem animais, mas com o sucesso da parceria da instituição com o espaço de Canoas, a preferência para o cuidado dos filhotes silvestres é dada ao zoológico da cidade. "Este mérito é fruto do trabalho da equipe, que está muito bem preparada. Canoas também está em um ponto estratégico do Estado. Geograficamente, ela está perto de muitos criadouros", declara a analista. Ela destaca ainda a estrutura adequada do local prevista pela legislação ambiental.
Desde o início do ano, a maternidade do zôo já recebeu 36 filhotes das mais diversas espécies, entre elas, gato-do-mato-grande, gato-do-mato-pequeno, veado catingueiro, papagaio-charão, bugiu-ruivo (estes primeiros em ameaça de extinção), coati, gavião quiri-quiri, tucano-do-bico-verde, maitaca, marreca-piadeira, caturrita, graxaim-do-mato e bacurau. Segundo a equipe de veterinários e biólogos do zoológico, alguns destes animais são oriundos de doações ou apreensões realizadas pelo Ibama na região e pela Patrulha Ambiental (Patram) de Rio Pardo. "Além dos mamíferos e répteis, recebemos também muitas aves. Em média, uma por dia. A maioria destes animais é órfã e vítima do tráfico. Eles, normalmente, apresentam sintomas de desnutrição, maus-tratos e stress, como machucados, dores, agressividade e medo", conta a veterinária do zôo, Maria Inês.
A partir do momento que chegam ao zoológico, os animais passam por uma triagem, em que os profissionais avaliam o seu estado físico, através de exames, e, em seguida, ficam em observação para monitoramento do estado clínico em um ambiente adequado, arejado e espaçoso. Durante esta fase, eles são atendidos com uma dieta alimentar específica e algumas peças lúdicas para o entretenimento. O trabalho realizado consiste em criar condições para a sobrevivência dos animais e, assim, estimular a auto-estima deles. "É através destes cuidados que adquirimos a confiança do indivíduo. A atenção também é fundamental para a gradativa reabilitação", comenta a bióloga, coordenadora do local, Liliana Castoldi. Porém, os filhotes estão em um espaço de contenção, que não está habilitado para visitação. "Eles necessitam de tranqüilidade e pouco barulho. A agitação do público só dificultaria o trabalho", destaca a bióloga, informando que, mesmo sem ter acesso a estes animais, é importante a população ter conhecimento do trabalho realizado, pois os animais não são peças de exposição do zoológico. "A vida natural destes animais foi interrompida devido a exploração da fauna. Esta é única razão da vinda deles para cá", aponta Liliana.
As atividades no zoológico são conduzidas por cinco técnicas. "Fazemos de tudo para salvar a vida destes animais e reabilitá-los, já que ele não teve uma aprendizagem através do convívio com a mãe e, assim, não poderá mais voltar ao habitat natural", esclarece a bióloga, lembrando que é difícil os animais sobreviverem sem o contato com a mãe. Após o tratamento e a construção de laudos sobre suas condições, os bichos são levados pelo Ibama para locais apropriados de pesquisa, que visam ao crescimento e a permanência deles em zoológicos de animais de grande porte ou criadouros.
O zoológico municipal de Canoas está aberto à visitação de terça-feira a domingo, das 9h às 18h, dentro do Parque Municipal Getúlio Vargas (rua Dona Rafaela nº 700. Para agendar visitas orientadas ao zôo, os interessados devem entrar em contato com o local pelo telefone 3462-1708.