Canoas é considerada pelo Ministério da Saúde uma cidade não infestada pela dengue no Estado. Desde 2004, não há indícios da doença no município. Para que este quadro seja permanente e não evolua, a Prefeitura de Canoas, através da Secretaria Municipal de Preservação Ambiental (SEMPA), vem, periodicamente, realizando um trabalho preventivo de fiscalização. A campanha deste ano do Programa de Combate à Dengue está sendo baseada em uma pactuação do município com o governo do Estado, em que o trabalho será fundamentado em um número de visitas anuais a imóveis e pontos estratégicos. O sistema de monitoramento, através do uso de armadilhas, também é um dos procedimentos adotados para o controle de focos do mosquito Aedes Aegpty. A Administração Municipal, consciente da proporção que a doença pode tomar, está mobilizando ainda outro setor do Executivo para orientar os canoenses a respeito das medidas adequadas para o combate à dengue. A Secretaria Municipal da Ouvidoria está sendo instruída, nesta quinta e sexta-feira (26 e 27/04), para prestar esclarecimentos a população sobre o tema pelos telefones 0800-510-1234 e 3472-5699, das 8h às 18h15min.
O titular da SEMPA, Marco Aurélio Chedid, afirma que a população deve ficar tranqüila, pois, em Canoas, a proliferação do mosquito da dengue é nula. "Todos os locais estão sendo inspecionados, as valas também, embora não representem perigo, já que o Aedes Aegpty se reproduz apenas em água limpa e parada", afirma Chedid. Segundo o coordenador do Serviço de Controle Ambiental da SEMPA, engenheiro sanitarista André Arnhold, todo o município foi mapeado em 308 pontos estratégicos para que cada local seja visitado a cada 15 dias. "Estamos realizando uma vigilância constante em locais de possíveis criadouros, mesmo em ambientes fechados", afirma o coordenador. "Precisamos também percorrer o município três vezes ao ano. Iniciamos as inspeções pelo lado leste da cidade, dando ênfase a floriculturas, madeireiras, borracharias, transportadoras, postos de gasolina, terrenos baldios ou construções abandonadas", aponta Arnhold, lembrando que, somente em 2006, o programa fez em torno de 50 mil visitas a residências, pontos comerciais e locais baldios.
O coordenador contabiliza que cerca de 100 agentes ambientais estejam envolvidos no processo de vistorias a residências e pulverização de locais considerados de risco. Com os casos constatados neste mês em Giruá, no noroeste do Estado - a 474 km de Porto Alegre -, Arnhold afirma que os quarteirões que fazem divisa com a BR 116 e a avenida Guilherme Schell são regiões prioritárias a visitações, devido ao grande fluxo de pessoas na área, assim como as indústrias em que circulam muitos caminhoneiros, como a Bianchini e Bünge.
Quanto à tática de fiscalização de levantamento de índices, o engenheiro explica que o procedimento, realizado em anos anteriores, foi substituído pelo sistema de monitoramento de armadilhas, alocadas em diversos pontos da cidade, que permitem avaliar a presença do mosquito da dengue. Conforme Arnhold, as 287 armadilhas colocadas, principalmente, perto de postos de saúde e escolas, são feita de pneus de motocicletas cortados na forma de uma meia-lua, para que o mosquito possa estar depositando seus ovos. O recipiente contém uma infusão de capim diluído em água. Os pontos selecionados para a instalação das armadilhas foram aqueles que apresentam características favoráveis a ovoposição das fêmeas do mosquito: locais sombreados em áreas externas e de temperatura e umidade favorável. "Os pneus são atrativos por serem escuros e possuírem uma parede áspera. A cada nove quarteirões, uma armadilha é colocada e visitada a cada sete dias, garantindo que o ciclo do mosquito não se complete e a inspeção da água seja feita por meio da drenagem", observa. Após este procedimento, os dados são registrados e enviados ao Ministério da Saúde. Caso alguma larva seja coletada, a área do local em um raio de 300m² será isolada para eliminar qualquer outro criadouro, sendo que 100% dos imóveis serão inspecionados pela equipe de combate a dengue do município.
O que é a dengue?
A dengue é uma doença viral de curta duração, de gravidade variável, transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti, que pica durante o dia.
Quais os principais sintomas?
Dengue comum - febre alta, manchas vermelhas, indisposição, dores atrás dos olhos, de cabeça, nos músculos e nas juntas.
Dengue hemorrágica - são os mesmos da dengue comum, mas após a febre, a pessoa pode apresentar sangramentos, queda de pressão, fortes dores no abdômen e alternâncias entre sonolência e agitação.
Cuidados:
Além de ficar em repouso e beber bastante líquido, a pessoa contaminada com o vírus da dengue não deve consumir medicamentos com ácido acetil salicílico.
Como é transmitida a doença?
A transmissão se dá pela picada do mosquito Aedes Aegypti, infectado após picar uma pessoa doente. Não há transmissão da doença pelo contato direto de uma pessoa doente com uma sadia. Também não há transmissão pela água, por alimentos ou quaisquer objetos.
Como evitar a proliferação do Aedes Aegypti?
O mosquito prolifera-se em qualquer local que tenha água limpa e parada. Por isso, é preciso manter caixas d'água e cisternas sempre tampadas e evitar o acúmulo de água em latas, pneus, cacos de vidro e vasos de plantas. As bromélias, que acumulam água na parte central, também podem servir como criadouros.