Dar esmola nem sempre é a solução ideal para vida dos jovens carentes. Como forma de alertar a comunidade canoense para os danos causados à formação destas pessoas, os integrantes do programa Agente Jovem da Prefeitura de Canoas saíram às ruas nesta sexta-feira (18/05) para mais uma ação de conscientização da campanha "Não dê esmolas, dê um caminho". Mensalmente, acompanhados por profissionais da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania, conselheiros tutelares e oficineiros, os jovens abordam pedestres e condutores para a entrega do papel-moeda, que deve ser posteriormente entregue à criança que pede gorjeta. A cédula é um material informativo que traz o mapa do Centro de Referência da Criança e do Adolescente, localizado na rua Marquês do Herval, 355, no bairro Marechal Rondon. A atividade também contou com a solicitação de apoio às lojas para a intensificação da campanha.
Na ocasião, a coordenadora do Serviço de Proteção a Criança e ao Adolescente da SMASCI, Maristela Mignot, dialogou ainda com crianças que circulavam pelo calçadão, no Centro do município, e apresentou o trabalho desenvolvido pelo Centro de Referência, convidando-os para participar das atividades oferecidas no local. "A nossa intenção é afastar os jovens das ruas, pois eles perdem o convívio escolar e familiar", define Maristela. Ela cita o Calçadão, a avenida Boqueirão, as sinaleiras da rótula da Metrovel e o Canoas Shopping como os principais pontos da mobilização e afirma que a ação tem revelado resultados positivos. "Estamos mapeando Canoas e revendo os locais em que há crianças pedindo esmolas, porque o índice nos pontos em que comparecemos está caindo gradativamente", garante a coordenadora. Para o titular da SMASCI, Ademir Zanetti, dar gorjeta alimenta uma forma de receita inadequada e propicia aos jovens carentes uma convivência desagradável e um grande risco de vida. "Muitas crianças estão nos semáforos distribuídos ao longo de avenidas e rodovias com grande tráfego e circulação de veículos", alerta Zanetti. "As pessoas não devem esquecer do seu papel de cidadãs e orientar as crianças para que procurem auxílio", sentencia o secretário, destacando os programas sociais da SMASCI disponibilizados aos jovens canoenses.
O integrante do Agente Jovem, Leandro José da Silva, 17 anos, participou da campanha pela primeira vez. "Estou um pouco nervoso, mas quero deixar claro à população que dar esmola só piora a qualidade de vida dos jovens. O dinheiro não é utilizado para a compra de comida, mas para a aquisição de drogas, cigarro e bebidas alcoólicas", argumenta o jovem, lembrando que quem sai perdendo é o jovem que recebe a esmola, pois está fora da escola.
A dona de casa, que se deslocava no calçadão, Eunice Dias revelou que tradicionalmente ajuda quem lhe pede uma esmola. "Conversando com os profissionais percebi que realmente não sei para que é destinado o dinheiro que dou, por isso mudarei minha atitude. Se há uma boa solução para mudar esta circunstância que vemos, é o trabalho excelente que a Prefeitura está fazendo", declara Eunice.
Assim como o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), o Agente Jovem tem a proposta de retirar os jovens da rua. A iniciativa atende jovens com idade entre 15 e 18 anos, de diferentes bairros de Canoas. O Departamento de Assistência Social encaminha ao programa, jovens que apresentam aspectos como vulnerabilidade social e situação de risco. Para participar das atividades, como oficinas de terapia, marcenaria, artesanato e Hip-Hop, os integrantes devem estar matriculados em uma instituição de ensino e apresentar a referida freqüência às aulas.
No Centro de Referência da Criança e do Adolescente, é oferecido atendimento psicológico, oficinas, atividades psicopedagógicas, desportivas e culturais, além de cursos básicos de informática. O centro abriga de segunda a sexta-feira, cerca de 60 crianças e adolescentes, de 07 a 17 anos, no turno inverso ao da escola.