Diferentes instituições de Canoas e do Estado se unem na elaboração de ações para prevenir a drogadição
A Prefeitura de Canoas e diversas entidades consolidadas do município e do Estado se reuniram na manhã desta sexta-feira (15/06), na sala de reuniões da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC), para discutir ações que coíbam o uso de entorpecentes entre crianças e adolescentes no município. Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o consumo de drogas é um dos mais importantes problemas de saúde pública no mundo atual. Provoca sérias conseqüências na saúde individual, com dramáticas repercussões familiares, profissionais, sociais, econômicas e ambientais. A intenção do grupo é justamente evitar que jovens e crianças da cidade sofram com esses prejuízos.
O crack é uma variação da cocaína, que é dissolvida em água adicionada com soda cáustica e calor. Relatos da ABP apontam o surgimento da mistura no final da década de 80, tendo as maiores prevalências da droga citadas em Newark, São Francisco, Fildadélfia, Atlanta e Nova Yorque. Porém, o Brasil não ficou de fora da "epidemia" de crack que tomou conta de praticamente todos os países. Segundo o vice-prefeito e secretário de Saúde de Canoas, Jurandir Maciel, na cidade, há cerca de 3 anos, o crack substituiu o loló, tornando crianças e adolescentes, reféns da droga. Maciel informa que para atender a demanda de dependentes químicos de Canoas, a Administração Municipal compra 60 vagas na clínica Marcelo Campos, em São Leopoldo. Porém, o vice-prefeito e o secretário municipal de Assistência Social e Cidadania, Ademir Zanetti, explicam que a intenção do grupo é adotar um novo modelo de ação. Segundo eles, a meta é integrar todas as instituições que atuam com jovens e crianças a fim de elaborar ações que atuem não apenas na recuperação, reabilitação e inserção social dos usuários, mas também no fortalecimento das atividades preventivas. Para Maciel, o modelo atual, focado no problema, está falido. "O caminho para a solução está construção de um novo modelo, centrado na visão e participação coletiva e com base na prevenção, promoção e educação", argumenta o secretário.
Entre as discussões foram apontadas a necessidade de intensificar a ação policial, focando no combate ao tráfico, bem como, a adoção de um novo modelo de ações. A Secretaria Municipal da Saúde já está buscando o apoio da ONG Fissura pela Vida, que congrega especialistas em psiquiatria e psicologia, a elaboração de um diagnóstico completo da cidade. O estudo servirá como base de dados e avaliação para o grupo de trabalho. O diretor Regional da Delegacia Metropolitana, Flávio Conrado, informou ao grupo os esforços do governo gaúcho para a implantação de uma delegacia para atenção à criança e ao adolescente, ao mesmo tempo em que solicitou o apoio dos representantes das entidades na mobilização para agilizar o processo.
Participaram do encontro, representantes Secretarias Municipais de Saúde (SMS), Assistência Social e Cidadania (SMASCI), Educação e Cultura (SMEC) e Habitação (SMH), Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (Comdica), Brigada Militar, Polícia Civil, Juizado da Infância e Juventude, 27a Coordenadoria Regional de Educação (CRE) e Conselho Tutelar.