O Cine Clube SMEC, da noite desta segunda-feira (30/07), comprovou que é um projeto que veio para ficar. Nesta segunda edição, a atração ficou por conta do filme Fahrenheit 451, de François Truffaut. A sala de reuniões da Secretaria de Educação e Cultura (SMEC) ficou lotada, com público de mais de 150 pessoas, entre professores, alunos do ProJovem e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), servidores e comunidade em geral. Para muitos, foi a primeira vez em uma sessão de cinema. Com o objetivo de promover a reflexão, vivência e discussão de questões da educação e cultura, através de debates para o crescimento pessoal e profissional de ambas as áreas, o projeto é gratuito e acontece toda a última segunda-feira de cada mês.
Na abertura do evento, o secretário de Educação e Cultura, Marcos Zandonai, explicou o projeto, salientando que " é um espaço novo em que, além de assistir ao filme, há um debate posterior sobre o tema com expoentes da área cultural e profissionais consagrados, tornando o bate-papo uma ferramenta de conscientização da sociedade para temas relevantes". Nesta edição, a mesa debatedora foi coordenada pela professora Cláudia Pinheiro, e pelo professor José Edil de Lima Alves, do curso de Letras da Ulbra, e por José Zanbonin, escritor e patrono da 23ª Feira do Livro de Canoas.
A atenção na tela e o silêncio foram uma constante na maior parte do tempo, sendo rompidos em momentos de emoção. Com duração de 1h42min, Fahreinheit 451 (1966) é baseado em livro homônimo de Ray Bradbury. A história passa em um Estado totalitário, os "bombeiros" têm como função principal queimar qualquer tipo de material impresso, pois foi convencionado que literatura é um propagador da infelicidade.
Para a estudante Andréia Santos, de 21 anos, aluna do ProJovem da Escola Farroupilha, que nunca tinha conferido de perto uma sessão de cinema, "é emocionante como é diferente da televisão, porque faz a gente pensar no que está sendo mostrado", disse ela, lembrando que a parte que mais gostou do filme foi a que uma personagem preferiu ser queimada junto com os livros a continuar vivendo sem a presença deles na sua vida.
Censura, medo da população. O debate tratou do filme e dos tempos de ditadura militar no Brasil. Para o debatedor José Edil de Lima Alves, o projeto é essencial. "São iniciativas como esta que fazem com que sejam formados cidadãos mais críticos, que pensam em um país grande em idéias e ações", destacou ele.
Além do filme e do debate, o roteiro da programação também teve distribuição de pipoca gratuita a todos os participantes e o sorteio de um DVD do filme e de 15 kits de livros, doados pela Editora Saraiva. A próxima edição do Cine Clube SMEC acontece no dia 27 de agosto.