Causa pode ser a falta de saneamento básico nos municípios da bacia
Uma ameaça de mortandade de peixes ronda novamente o Rio Gravataí. Desde a manhã desta terça-feira (15/04), cardumes agonizam na superfície, por falta de oxigênio. Durante a tarde, técnicos da Secretaria Municipal de Preservação Ambiental (Sempa), da Prefeitura de Canoas, e da Fundação Estadual de Preservação Ambiental (Fepam), recolheram amostras de água e de peixes, além de fazer a medição do nível de oxigênio em pontos ao longo do trecho de 5km, que passa por Canoas. Até agora, os técnicos trabalham com a hipótese de poluição nas águas, provocada pela falta de tratamento nas redes de esgoto dos municípios que compõem a bacia do Gravataí.
De acordo com a geóloga da Sempa, Andreá Trevisol, os resultados das análises saem em uma semana. "Depois da chuva intensa, aumentou a contaminação no Rio Gravataí, o que piorou a condição da água. Se forem excluídas outras hipóteses de contaminação, e as condições climáticas não favorecerem - a vazão da chuva dilui os poluentes e melhora a qualidade da água, o que aumentaria o nível de oxigênio no rio -, os peixes vão morrer. Ainda não temos como dimensionar em que proporção", explica Andreá. "A natureza continua dando sinais de que está sofrendo agressões. Se a comunidade e o setor político tiverem vontade, há como resolver", enfatiza o titular da Sempa, Marcos Aurélio Chedid.
A concentração de oxigênio encontrada nas águas do Gravataí variou de 0,6 a 1,2 mg/l. O trecho mais crítico foi no canal do Departamento Nacional de Obras de Saneamento, de Porto Alegre, pelo qual a maior parte do esgoto da capital é descarregada. "O ideal seria que o nível estivesse acima de 2", afirma o Químico do Serviço de Emergência da Fepam, Mauro Gomes de Souza. "O rio Gravataí não tem velocidade. Por isso, o material que entra não é arrastado, e o esgoto está sendo degradado aqui. A única forma de prevenir que este fenômeno volte a acontecer é evitar a poluição. Sem saneamento básico, cada vez que chover vai acontecer", reforça.
Segundo o presidente da Associação de Pesquisas Técnicas Ambientais (APTA), Clóvis Braga, que permanentemente monitora o rio, uma alternativa imediata seria a colocação de aeradores, para aumentar a quantidade de oxigênio. "Seria necessário um para cada 200 m do rio, mas não temos estas condições", relata. Quanto à quantidade de peixes, entre elas as espécies Branca, Birua, Lambari, Jundiá, Traíra e Tilápia, encontradas hoje no rio, ele afirma que não é o número normal. "O aumento se deve à piracema, período de reprodução, que acontece de outubro a março. As espécies que habitam o rio são mais resistentes e não estão agonizando", destaca.