O campo familiar é a base mais sólida na qual se alicerça a formação de qualquer pessoa. No entanto, o que era para ser uma referência, às vezes, aparece como um problema. E, na maioria das vezes, são as crianças as mais prejudicadas, diante da exclusão social causada por algum tipo de deficiência. "A função da família é abrir espaço para aceitar a criança que nasceu, da forma que ela é. Se esta criança tem o apoio no âmbito familiar, acaba encontrando, também, lugar em outros campos da sociedade, como escola e mercado de trabalho." A afirmação é da professora Gilca Lucena Kortmann, psicopedagoda e especialista em Educação Especial.
Apesar de o preconceito ser o maior obstáculo que as pessoas portadoras de deficiência enfrentam, atualmente, Gilca percebe que há uma evolução no sentido da forma com a qual estas pessoas estão sendo tratadas. "É preciso tratar as crianças, jovens ou adultos com deficiência como sujeitos de si, buscando ressaltar a eficiência que existe em cada um", ressalta.
Segundo ela, a exclusão se dá porque a pessoa é feia, gorda, magra, ou até mesmo bonita, porque chama a atenção. Mas, diante desta situação, as diferenças não têm qualquer valor. "O olhar tem que ser sobre a criança e não sobre a deficiência", frisa.
Na visão de Gilca, há uma grande contradição entre separar escolas em tradicionais e especiais, para crianças portadoras de deficiência. "Existe uma lei mundial, a Lei da Guatemala, que proíbe este tipo de exclusão. Todos têm direito à educação da mesma forma. A "escola especial" deve ser um espaço de promoção para possibilitar que as crianças possam vencer seus obstáculos e, assim, chegar ao ensino regular", explica. No entanto, é necessário, também, haver profissionais capacitados, na tentativa de atingir os melhores resultados possíveis, na busca pela inclusão. Gilca destaca que, além da habilitação a prática dos professores depende muito do fato de querer ver o aluno com um olhar mais humano.
Há 15 anos à frente do curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia do Unilasalle, Gilca será uma das coordenadoras da 11ª Semana da Pessoa com Deficiência de Canoas - Em defesa pela vida. A opção pelo lema tem origem na Campanha da Fraternidade, que propõe uma reflexão sobre a importância de acolher a todos com afeto e amor, acima de tudo. O evento, que acontece de 21 a 28 de agosto, no Unilasalle, é uma realização do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Comdip) e tem apoio da Prefeitura Municipal.
Durante o evento, os participantes poderão conhecer iniciativas voltadas às pessoas com deficência que beneficiam gratuitamente à comunidade. O Unilasalle, por exemplo, oferece um trabalho gratuito para crianças, jovens e adultos portadores de deficiência, incluindo aulas de natação, fisioterapia, acompanhamento nutricional, além de exercícios que atuem no desenvolvimento da psicomotricidade.