Equipe de neurocirurgiões do Hospital de Pronto Socorro de Canoas Deputado Nelson Marchezan realizaram no dia 14/10 cirurgia complexa para retirada de tumor na medula espinhal. A paciente, a adolescente Júlia Rigon, 14 anos, de Portão, deu entrada na casa de saúde, um dia antes, sem movimento nos membros inferiores. Recebeu alta na tarde desta quinta-feira (23/10) e passa bem.
Conforme o neurocirurgião Luiz Carlos Brasiliano - que liderou equipe integrada por mais dois especialistas em neurocirurgia, Paulo Worn e Alexandre Reis - a operação inspirou cuidados especiais em função da pouca idade da paciente e de seu estado de saúde quando foi internada.
"A menina chegou ao Pronto Socorro paraplégica. Feitos os exames de imagem, constatou-se que ela apresentava um tumor na medula, entre a 4ª e 6ª vértebras toráxicas. A cirurgia foi bem complexa, especialmente em função da idade da garota", diz o médico.
Brasiliano explica que foi utilizada a técnica de laminoplastia, ou seja, a retirada das lâminas vertebrais na região afetada da coluna. Após a remoção do tumor, essas lâminas foram novamente introduzidas no organismo da paciente. "Com isso, evita-se que a menina desenvolva uma cifose (desvio na coluna vertebral), pois ela ainda está em fase de crescimento", revela o especialista.
O estado de saúde da garota, segundo ele, é bom. Ela já consegue caminhar, auxiliada por outra pessoa, e, assim que recebeu alta, foi para casa. De acordo com o médico, Júlia não precisará usar qualquer tipo de colete de correção postural. Mas ainda terá de passar por mais algumas sessões de fisioterapia, tratamento que já vinha sendo feito no hospital.Posteriormente, ela terá de voltar ao Pronto Socorro para uma revisão médica.
Família elogia atendimento
Muito aliviadas depois de todo o processo que iniciou três dias antes da cirurgia - quando Júlia sentiu os primeiros sintomas, um "formigamento" nas pernas que, depois progrediu para a paralisia total - a tia da garota, Maria Izaura Machado, e a mãe, Maria Odete Rigon, elogiaram o atendimento recebido.
"Este hospital é muito bom: a organização, o atendimento, o carinho que todos proporcionam à gente. Isso desde lá na portaria até os enfermeiros, a psicóloga, a fisioterapeuta. Sem contar a limpeza desse hospital. Todos passaram muita tranqüilidade para nós. A gente não sabe a quem agradecer primeiro", afirma Maria Odete.
A garota, que estuda e mora em Portão, revelou sempre muito confiança. Ainda segurando o rosário que manteve junto dela durante quase toda a internação, ela afirmou a crença na sua melhora desde que seu estado de saúde se agravou. "Eu disse que não ia ficar paralítica. Sabia que ia dar tudo certo", revela.