A Comunidade da Vila Comtel está entre as primeiras beneficiadas pelas ações prioritárias da Secretaria Municipal de Obras Públicas (SMOP) durante os primeiros 180 dias de governo. Na quinta-feira, 26, o secretário Alcy Oliveira esteve no local com equipe técnica da prefeitura para inspecionar o andamento da colocação de 5.060 metros de canos na Rua HH, uma das áreas do Município em que é grave o problema de alagamentos, e que por isso tem recebido atenção reiterada da Administração Municipal. Estima-se que cerca de 800 famílias serão beneficiadas com as obras.
A ação na Comtel é apenas parte de um conjunto de obras planejadas pela SMOP, a partir do diagnóstico de necessidades levantadas junto àquela comunidade. "Temos preparado um cronograma de pequenas e grandes ações. O bairro Guajuviras e seu entorno vai ser beneficiado com um total de R$ 355 mil, explica o assessor técnico da SMOP", Laudemir Silveira. Além da limpeza das galerias na vila Comtel, já em andamento, integram as ações da administração a construção de caixas coletoras e eventos educativos para a conscientização da comunidade sobre os problemas causados pelo entupimento das 'bocas de lobo'.
O Parque União, no bairro Rio Branco, também deve ser beneficiado com a construção de uma rede de drenagem pluvial de 200 metros. A obra envolve um investimento inicial de R$ 30 mil, de um total de R$ 68 mil direcionados para a região no cronograma de obras municipais.
Alagamentos: maior preocupação
Os alagamentos em zonas de risco concentram maior atenção entre os acidentes naturais em Canoas. A afirmação é do titular da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (COMDEC), Mauro Guedes. Esse órgão, que atua em parceria com outras entidades civis, com a Brigada Militar e a Fepam, também realiza ações integradas com todas as secretarias municipais.
Sobre acidentes com desabamentos a partir de desmoronamentos de terra, que são comuns em regiões com morros e encostas, Guedes diz que Canoas não apresenta maiores riscos. "Por tratar-se de uma cidade relativamente plana, há poucos casos de deslizamentos", observa o coordenador da defesa civil no município. No entanto, ele ressalta que há outros problemas relacionados às áreas de risco que têm merecido atenção do poder público municipal, como é o caso dos alagamentos. Conforme Guedes, um dos problemas do bairro Guajuviras é que não dispõe de casa de bombas, que é o meio de controle operacional da elevação dos níveis de água.
Munido do mapa de risco da cidade (diagnóstico estratégico sobre potenciais pontos e fluxos entres as áreas mais propícias a desastres naturais ou provocados), ele explica que há um plano da COMDEC para enfrentar a curto e médio prazos esses problemas. "Atuamos em quatro níveis diante de acidentes de grandes proproções envolvendo a sociedade civil: prevenção, preparação, respostas e reconstrução". Já em eventos de massa, como foi o Carnaval, Guedes diz que há um plano de contingência apropriado para orientar a atuação da Defesa Civil.
Infraestrutura habitacional
Para resolver a situação das famílias que vivem em áreas de risco (perto de redes de alta-tensão, sem água, em construções impróprias, em encostas, etc.), a pefeitura está preparando um plano específico. A remoção de famílias estabelecidas irregularmente no menor prazo possível é o foco atual da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SMDUH). A medida, contudo, exige a garantia de infraestrutura nas áreas potenciais para eventuais transferências. "A ocupação desordenada de leitos de rios e outras áreas ociosas, impróprias para moradia, exige estudo para o dimensionamento real do problema", observa Giovanna Fagundes, secretária adjunta da pasta.
Conforme Giovanna, o projeto da administração anterior para começar a resolver esses problemas crônicos na cidades estava paralisado por causa de atrasos no pagamento da empresa responsável pela consultoria. "Os trabalhos foram retomados por essa Gestão, mas será feito novo estudo do solo para identificar o porte e a estrutura mais adequada para moradias em cada local", explica. Ela esclarece ainda que há sete ocupações no Guajuviras, sobre as quais a prefeitura está realizando o cadastro. "È prioridade desse governo construir habitações, mas queremos organizar cadastros mais atualizados e confiáveis", afirma.
Para as primeiras remoções de famílias em áreas de risco, a prefeitura está preparando infraestrutura em duas novas áreas. Só na região do Guajuviras, o projeto atinge um contingente aproximado de 5 mil famílias.
Ronaldo M. Botelho