No século XXI ainda é comum nos depararmos com incitações ao racismo, seja através de palavras ou gestos. Em Canoas, a área responsável por impulsionar um processo de transformação em culturas arraigadas, em âmbito local, é a Coordenadoria das Políticas de Igualdade Racial. No próximo sábado, 21, o órgão dá seu primeiro passo na longa caminhada de combate ao racismo, com a realização do seminário \'Construindo Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial\'. O evento ocorrerá no auditório do Unilasalle (Avenida Victor Barreto, 2288 - Centro), a partir das 8 horas.
A atividade é aberta ao público em geral. De acordo com a professora e assessora técnica da Coordenadoria, Maria Teresa da Costa Fagundes, esta é uma forma de sondagem para identificar as prioridades da população, em termos de igualdade. A divulgação da cultura negra é um importante passo para a construção de uma sociedade mais igualitária. "O assunto deve ser popular e deixar de ser lembrado apenas na semana da consciência negra, em novembro", ressalta Maria Teresa.
A escolha da data para realização do seminário tem relação direta com o assunto em questão. Quando se comemora o Dia Internacional de Combate ao Racismo, a proposta é, também, de promover uma reflexão sobre o histórico do problema racial, sobre as lutas do povo negro contra o racismo. "O negro nem sempre foi escravo. Muitas vezes, nem ele conhece a sua própria história. É preciso que esta cultura seja desmistificada, porque o negro tem outra representação na sociedade."
Neste sentido, além de debater temas como o mercado de trabalho e a saúde da população negra, haverá ampla discussão acerca da Lei nº 10.639, que insere a cultura do povo negro nos currículos escolares. Maria Teresa destaca que tal reflexão é de extrema importância, uma vez que a educação e o respeito com qualquer pessoa deveriam vir de casa, o que nem sempre ocorre.
"Como professora, percebo que as crianças ainda usam palavras fortes para agredir um colega negro", pontua Maria Teresa. Por este motivo, ela enfatiza que a disciplina deve fazer parte da formação dos estudantes, pois no momento em que a história se tornar comum, não haverá motivos para lutar pela igualdade racial.