Ao mesmo tempo em que os senadores da Comissão de Constituição e Justiça discutem a política de cotas para ingresso em instituições de ensino público, Canoas também coloca em pauta a questão da igualdade racial. Neste sábado, 21, o senador Paulo Paim, o prefeito municipal, Jairo Jorge e a coordenadora das Políticas de Igualdade Social de Canoas, Maria Aparecida Mendes de Lima, iniciaram uma construção coletiva para combater as desigualdades no município.
O processo aconteceu com a realização do seminário "Construindo Políticas Municipais para a Promoção da Igualdade Racial", ocorrido no salão de atos do Unilasalle. A discussão foi estimulada na abertura do evento, quando o prefeito municipal Jairo Jorge sinalizou o que para ele é um importante indicativo da mudança de paradigmas no mundo: a eleição do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. "Estamos num momento histórico. Precisamos atender o anseio da população que sofre diante de constantes discriminações, principalmente em Canoas, onde nunca teve política para atender os afro-descendentes", comentou.
O público foi estimulado também a refletir sobre o Estatuto da Igualdade Racial, apresentado pelo criador do projeto de lei, Senador Paulo Paim. O objetivo declarado do estatuto é estabelecer critérios para o combate à discriminação racial de cidadãos afro-brasileiros, que segundo Paim, é um dos temas mais difíceis de tratar no Brasil. O senador elogiou a iniciativa do seminário proposto pela administração e ressaltou o trabalho da coordenadora Maria Aparecida. "Conheço a Cida e sei da luta que ela realiza em Canoas pelos negros e contra a desigualdade racial", comentou Paim que aproveitou para homenagear também a vice-prefeita, Beth Colombo.
Quebra de protocolo
O reconhecimento às mulheres do governo canoense não foi a única atitude inesperada feita pelo senador. Paim aproveitou a oportunidade para partilhar a satisfação de completar mais um ano de vida, neste dia 21. Todos os participantes cantaram parabéns e depois seguiram uma intensa programação.
Durante todo o dia foram abordados os desafios enfrentados pelos negros no país, nas áreas da saúde, segurança, territorialidade e habitação e, no mercado de trabalho. A Lei 10.639, que obriga a inserção da História e Cultura Afro-brasileira no currículo escolar, também foi discutida no seminário.
Rachel Duarte