A idéia surgiu após a Secretaria Municipal da Saúde de Canoas (SMS) receber uma demanda do Ministério Público para dedicar maior atenção à questão dos idosos asilados do município. A Caravana da Dignidade é um trabalho multidirecionado que consiste em vistoriar e detectar condições irregulares de higiene, instalações e tratamento nas 27 instituições de longa permanência de idosos no município.
Encabeçado pela diretoria de Vigilância Sanitária da SMS com a participação inicial da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Coordenadoria de Inclusão e Acessibilidade, Conselho do Idoso e Conselho de Saúde, a ação pretende, sobretudo, buscar a qualificação e solucionar os problemas desses locais proporcionando apoio e orientação. A comitiva realizou sua primeira saída de campo nesta sexta, 27, em dois asilos da cidade.
A maior preocupação do grupo é o grande número de pessoas que vivem na situação de internato, um total de 500 canoenses pertencentes à terceira idade. Para embasar o projeto, a vigilância preparou um roteiro de inspeção. As visitas serão feitas de surpresa e acontecem até a primeira quinzena de maio, sendo duas saídas por semana, vistoriando dois locais por vez. "A caravana está incluída em uma proposta de fortalecermos políticas públicas para os idosos. As representatividades sociais dão ainda mais legitimidade à atividade da Prefeitura", ressalta o gestor da Vigilância Sanitária, Júlio César dos Santos.
Realidade
O abrigo Matusalém, localizado no bairro Estância Velha, e a Residência Santa Julia, na região central foram os primeiros escolhidos pela caravana para receber as vistorias. O segundo ponto citado recebe repasse do poder público municipal. Na primeira verificação, os profissionais encontraram uma situação precária em todos os aspectos pré-determinados e algumas surpresas inesperadas. A água utilizada na máquina de lavar roupas é reutilizada pelos administradores do Matusalém, fato que a comissão julgou como inadmissível do ponto de vista sanitário. Outras irregularidades foram notificadas, como pessoas portadoras de deficiência vivendo com idosos, alimentos guardados em recipientes sem tampa, inclusive carnes, mesa de refeição no quarto, falta de atendimento médico, dentre outros.
A disparidade entre as duas instituições foi o que chamou atenção do grupo. Ao entrar na Residência Santa Julia já era possível detectar um local apropriado para a vivência dos idosos. Assepsia, adaptação dos cômodos e estruturas físicas, atendimento médico conveniado com plano de saúde, terapia ocupacional, entretenimento e equipe qualificada, o asilo foi denominado pela comitiva como padrão a ser seguido. "Nossa meta é humanizar os ambientes e dar dignidade a esses cidadãos. Sabemos que essa ação por si só já nos dá respaldo para continuar na busca da qualidade de vida", enfatiza Júlio César.
Mariela Carneiro