Um cheirinho de pão invade as salas de aula e atiça os paladares. É isso que ocorre todas as vezes que as merendeiras da escola Arthur Oscar Jochims fazem pão caseiro para a merenda. Através da substituição da cuca, sugerida no cardápio enviado pela Secretaria de Educação, pelo pão produzido na instituição, a escola conseguiu economizar, no último mês, R$ 1,8 mil.
Esta vem sendo uma tendência nas escolas de ensino fundamental do município desde que os diretores passaram a ser gestores da merenda escolar. Conforme o previsto no Programa da Qualidade da Merenda (PQMAE), eles recebem R$ 0,44 por dia, por aluno, para a compra dos alimentos que compõem o cardápio das refeições. Na Oscar Jochims, a pesquisa de preços possibilitou a redução deste valor. Segundo o diretor da instituição, Gerson Scheffel Flores, no local o gasto ficou em R$ 0,41 por estudante. "Nos últimos oito anos acompanhava a quantidade equivalente a três refeições diárias serem postas no lixo. E não eram sobras. Era comida que nem tinha sido tocada. Nada era aproveitado. Agora, administramos a compra, a quantidade e o reaproveitamento adequado dos alimentos", relata.
Para chegar à economia de mais de mil reais o diretor dedicou-se à pesquisa de preços. O custo do quilo da cuca, conforme ele, é de aproximadamente R$ 5,00. Para servir 890 alunos o gasto seria de R$ 450,00. Farinha, água e fermento foram os ingredientes que propiciaram menos gastos a escola sem perder a nutrição recomendada pelas nutricionistas da secretaria. "Compramos 25 quilos de farinha e o fermento e gastamos pouco mais de R$ 45,00. Foram feitos 90 pães caseiros para servir o mesmo número de alunos", explica.
A aceitação foi unânime. Karina A. T., 10, aluna da 4ª série, não troca o pão caseiro feito na escola por outra refeição. "Achei muito bom, tem o mesmo gostinho do que aquele que a minha mãe faz em casa", avalia.
Além de agradar aos paladares, a produção do alimento na escola também traz satisfação. "É recompensador fazer o pão, pois vejo o quanto as crianças gostam. Faço com o carinho de mãe", afirma uma das merendeiras da escola, Marinês Cardoso.
Sobrar pão é coisa rara na escola, mas, quando ocorre, nada vai fora. As fatias que eventualmente sobram são torradas. Outra medida para evitar o desperdício é observar a aceitação do cardápio. "Vamos adequando conforme a resposta dos alunos. Esses dias servimos pão com doce de abóbora, mas nem todos gostaram. Trocamos por pão com manteiga e aprovaram. Essa liberdade é fundamental", destaca o diretor.
Fomento da economia
Com a redução de custos conquistada no mês, a escola Athur Oscar Jochins poderá realizar refeições mais elaboradas ou servir uma refeição mais caprichada aos alunos, em datas especiais. "Poderão, por exemplo, servir bolo de chocolate nos dias que antecedem a Páscoa. Já temos, inclusive, sugestões da nossa equipe de nutrição para datas como essa", observa o gestor da unidade de alimentação escolar da Secretaria de Educação, Alfredo Muller.
Outro benefício do Programa de Qualidade da Merenda é o fomento da economia no município. Comerciantes como Cézar Augusto Philipssen, proprietário de uma empresa de alimentos em Canoas, estão satisfeitos com a iniciativa. "Para nós está sendo muito bom. Não tínhamos esta oportunidade de venda, pois era restrita a grandes empresas através de licitações. Esta funcionando muito bem. E o melhor, temos a garantia do pagamento, o que não ocorria anteriormente", ressalta.
Patrícia Araujo