Um é poeta. O outro, ativista da educação. O primeiro, eletricista; o segundo, autônomo. Embora de origens diferentes, as vidas do eletricista Vilmar de Silva e do autônomo Silvio Noel Lemos estavam unidas por pelo menos dois fatores, além da amizade, na noite desta quarta-feira, dia 1.º, durante a segunda plenária do OP Canoas: ambos moram há 40 anos no bairro Niterói. Têm, portanto, vivências comuns e enxergam a cultura como um meio estratégico de ampliar os horizontes na cidade.
Poesia e cidadania
Sentado em um dos últimos bancos do ginásio de esportes do Instituto Estadual de Educação Dr. Carlos Chagas, Silva ouve atentamente as palavras iniciais do coordenador do OP, sobre o objetivo e a dinâmica da plenária. Enquanto isso, resume a história do seu bairro. "O transporte era difícil nos meus primeiros anos aqui, o Trensurb é um marco divisor", pontua.
Faz um breve intervalo para, em pé, ouvir o hino da cidade. Depois, prossegue. "Quando começou a valer a lei ambiental, as empresas poluentes se adequaram, ou se afastaram daqui. Hoje, com a informação, as pessoas estão aprendendo", afirma. Membro da Casa do Poeta, com textos publicados em sites e jornais, Vilmar de Silva diz que o amor é sua inspiração. Perguntado sobre se essa palavra tem a ver com uma plenária do orçamento participativo, não vacila. "Claro. O amor tem vários parâmetros: ser - humano, terra natal, cidadania...", pondera.
Por fim, revela sua satisfação em ver a praça Dona Mocinha ter ganhado vida através de eventos. "Nossa associação de bairros operou nessa transformação; o movimento cultural ajuda positivamente", avalia. Em seguida, para contribuir na socialização de experiências, apresenta o amigo Sílvio Noel Lemos, velho conterrâneo de bairro.
Educação, "sempre"
Mais analítico, mas não menos otimista, Lemos é um assumido militante pela melhoria da educação. Na condição de presidente do Círculo de Pais e Mestres da instituição que sedia a plenária, ele apressa-se em dizer o motivo de estar ali, que é o motivo de sua vida: "Educação, sempre". Para ele, em todas as esferas, a educação é a parte mais importante da sociedade. "Lutamos por uma escola de tempo integral, para que a tarde as crianças fiquem aqui. Queremos transformar através do lúdico", aspira.
Como seu colega Silva, também tem orgulho do bairro em que vive, e por isso mesmo acredita na cidadania e na cultura como formas de ampliar as formas de a educação mudar a vida. E a particiapação popular, educa? "Sempre" - repete - "É uma maneira de ter como cobrar no futuro. Tenho dito a quem reclama: elege o teu delegado, e cobre dele", conta.
Enquanto fala, Lemos mostra a lista dos projetos estratégicos da administração, dos quais os participantes elegeriam as 10 prioridades mais tarde. Fala também da preocupação com uma vila próxima, onde as pessoas precisam trabalho, creche e saneamento. A história iria longe, mas o microfone anuncia: "aberta na região Sudoeste a plenária da primeira rodada do OP Canoas". Boa hora para se transformar sonhos em realidade. A plenária começa.
Ronaldo M. Botelho