"Muitas pessoas já conseguiram lotes aqui no bairro Niterói, mas necessitam do auxílio do poder público. O ideal seria que a Prefeitura conseguisse compor a Companhia de Habitação do Estado, a Cohab uma forma de parcelamento para quitação dos imóveis". A reivindicação é da a presidente da Associação dos Moradores da Vila João de Barro, do bairro Niterói, Ruth Ribeiro. A representante enfatizou que a participação popular valoriza o cidadão e o ajuda a saber o que realmente necessita solicitar aos gestores da cidade.
Moradores com experiência anterior no Orçamento Participativo de Porto Alegre se sentiram resgatando a possibilidade de contribuir com a administração pública. A professora Andréa Lobato, que foi conselheira do OP da capital afirma que é apaixonada pelo processo. "Gosto muito dessa iniciativa, quem participa se apropria do bem público que é de todos. Quando fiquei sabendo que instalariam esse mecanismo aqui em Canoas fiquei muito feliz. Estou observando que o formato está muito semelhante ao de POA, mas também reparei que acontecerá algumas atividades diferenciadas, como a eleição para as obras mais viáveis de serem executadas", ressalta a Andréa.
O secretário de diligências do Ministério Público Federal, Adair José Bamberg, também é íntimo da participação popular na capital. Ele afirma que contribuir nas plenárias e no restante do processo ajuda o cidadão a entender a gestão de uma cidade. "Quero contribuir no sentido de discutir as prioridades dentro dos 30 projetos estratégicos apresentados pelo prefeito Jairo Jorge. Considera a questão da iluminação, limpeza, transporte e saúde fundamentais aqui para a região", enfatiza.
A União das Associações dos Moradores de Canoas estava representada por uma integrante licenciada da entidade. A coordenadora de Igualdade Racial, Maria Aparecida de Lima Mendes, que é moradora do bairro Niterói considera a segurança prioridade para o local. Ela afirma que as crianças são frequentemente abordadas por gangues nas saídas das escolas.
Um dos 21 delegados eleitos é o aposentado de 75 anos José Pedro dos Anjos. O ex-administrador de empresas era descrente no formato do OP, considerava que, mesmo assim, era sempre o prefeito que decidia onde os recursos eram aplicados, mas conhecendo a iniciativa pessoalmente mudou de opinião. "Agora eu vejo que não é assim, as pessoas podem ajudar a influenciar nas políticas públicas construídas em favor dos vizinhos, amigos e familiares", pondera. José Pedro está entusiasmado com a nossa atribuição e pretende aproveitar a condição de aposentado para dedicar tempo significativo aos projetos da cidade.
Mariela Carneiro