"Lá percebi um desânimo nas pessoas. Aqui há entusiasmo, parece uma festa". A observação é do pesquisador italiano Paulo Spada, da Universidade de Yale (EUA), comparando o processo do OP Canoas (Orçamento Participativo de Canoas) com a situação atual desse modelo de gestão do OP de Porto Alegre, que tem recebido críticas pelo esvaziamento e descumprimento de obras.
Sentado na terceira fila de cadeiras do durante a plenária superlotada do OP Canoas na última quarta-feira, 15, Spada analisava atentamente a apresentação do diretor de relações comunitárias, Célio Piovesan. Na condição de estudioso desse modelo há 10 anos, Spada veio a Canoas há pouco mais de um mês, através da ONG Cidade, que monitora processos políticos participativos na região metropolitana. "Sentado na terceira fila de cadeiras do durante a plenária superlotada do OP Canoas na última quarta-feira, 15, Spada analisava atentamente a apresentação do diretor de relações comunitárias, Célio Piovesan. Na condição de estudioso desse modelo há 10 anos, Spada veio a Canoas há pouco mais de um mês, através da ONG Cidade, que monitora processos políticos participativos na região metropolitana. "Se fala muito de participação popular, mas nada se sabe das maioria das cidades que a aplicam. Todas as pesquisas são sobre Porto Alegre e uma dezena de outras cidades famosas", observa.
Em breve passagem pelo Brasil para reunir dados para sua tese de doutorado, o pesquisador diz ter visitado vários estados brasileiros. Ele considera que o OP Canoas interessante pela sua forma de interação e intervenção com o público. "Diferente de Porto Alegre, onde a rodada é única, aqui temos quatro rodadas. Também me chamou a atenção o carisma do prefeito", avalia.
A plenária do Mathias Velho contou com um público que impressionou os organizadores (cerca de 1.300 participantes), indicando que a espontaneidade começa a aparecer como um aspecto inusitado no processo. "Nós fizemos 1.500 panfletos e entregamos de casa em casa", declara a candidata a delegada Marlene da Silva Fanfa, do CTG Bento Gonçalves, exibindo com orgulho a inscrição número 01 no crachá.
Para o coordenador da plenária, Célio Piovesan, a presença massiva da população indica confiança no projeto político do atual governo. "Uma série de ações pró-ativas nesses primeiros 100 dias de governo influenciam nesse retorno", avalia. Ele informa que o próximo passo será uma avaliação da primeira rodada com os subprefeitos e uma reunião com os delegados eleitos até a próxima semana. "Temos agora um outro comando no processo", salienta.
Ronaldo M. Botelho