Todos pela paz. Levando esta mensagem em camisetas brancas, os mais de 150 participantes da 1ª Caminhada pela Paz percorreram um trecho da Avenida 17 de Abril, no bairro Guajuviras. O grupo, formado por familiares de vitimas da violência na cidade, além do prefeito de Canoas, Jairo Jorge; da vice-prefeita, Beth Colombo; do secretário de Segurança Pública e Cidadania, Alberto Kopittke e a coordenadora de Políticas para as Mulheres, Maria Aparecida Flores foi acompanhado por outras autoridades, funcionários da prefeitura e comunidade. Todos se contagiavam com a caminhada que clamava por paz, justiça e participação do povo na luta contra a violência.
A marcha seguiu acompanhada do carro de som que levava frases de carinho, amor e fé. Aos poucos, os moradores do bairro foram se sensibilizando com o ato. Aplausos pela coragem daqueles que driblavam a dor da perda de um familiar para participar do coro de paz como Andréia dos Anjos. A moradora perdeu o irmão Andre dos Anjos, 27 anos, vitima da violência. O jovem, conhecido na cidade, faleceu há oito anos, sendo o primeiro registro de assassinato no Guajuviras. "Eu não perco a esperança de conseguir mobilizar as pessoas para que elas não se fechem em casa com medo da violência. Precisamos ir para rua e chamar a atenção para a nossa realidade. Precisamos unir esforços", comentou.
O prefeito de Canoas, Jairo Jorge, seguiu a caminhada pela paz pedindo fibra aos canoenses. "Não podemos aceitar que a vida dos nossos jovens seja ceifada pelo crack, pelas drogras", salientou. Ele garantiu que investirá energia, tempo e recursos, por meio dos programas federais do Ministério da Justiça, para reverter a violência no Guajuviras e na cidade. O secretário de Segurança, Alberto Kopittke, salientou que a imagem do Guajuviras como o bairro mais violento da cidade deve ser desmistificada. Segundo dados recentes da Brigada Militar de Canoas, o Guajuviras não lidera mais o ranking do local com mais homicídios.
O marco de rompimento do silencio pelo fim da violência em Canoas foi protagonizado também por crianças. Raissa S., 9 anos, demonstrou consciência sobre o seu ato e esperança de paz. "As pessoas devem conviver sem brigar. Essa violência toda como matar e roubar não é de Deus", falou. A dona de casa Claudia Fernandes, 30 anos, se enganjou na caminhada por reconhecer o papel do cidadão na segurança pública. "Nós temos a responsabilidade de cuidar dos nossos filhos e acompanhar o desenvolvimento deles. É a nossa contribuição para prevenção da violência", comentou.
A 1ª Caminhada pela Paz foi uma iniciativa do movimento Mulheres pela Paz, articulado pela Secretaria Municipal de Segurança e Cidadania, com o apoio da Coordenadoria de Políticas para as Mulheres. O ato durou cerca de uma hora e meia e culminou com um momento solene no palco da Praça da Brigada Militar. Depois dos discursos das autoridades, os moradores ganharam uma festa de seis horas de shows musicais. A programação pertence ao projeto Caravana Cultural e foi gratuita.
Rachel Duarte