Um bom motorista precisa ter atenção, paciência e conhecimento da legislação. Em Canoas, um grupo que trabalha diante do volante requer algo mais: dedicação. Responsáveis pelo transporte escolar municipal, 15 profissionais carregam todos os dias alunos portadores de deficiência, o que exige cuidados especiais. Nesta sexta-feira, 24, estes servidores participaram de um minicurso sobre "Abordagem à pessoa com deficiência".
A iniciativa foi uma promoção da Prefeitura de Canoas para reciclar os funcionários que transportam alunos especiais. O secretário municipal de Educação, Paulo Ritter, ressaltou que outras atividades vão acontecer ao longo do ano para ampliar os conhecimentos destes profissionais. "Trabalhamos dentro de uma política de educação continuada. Estes motoristas têm uma vivência prática das situações teóricas que trocamos em capacitações e cursos, mas a sociedade nos exige uma constante aprendizagem", comentou ele.
Há dois anos trabalhando no transporte escolar do município, a motorista Ana Lúcia Pinto explicou que a prática com os alunos especiais ensinou muito sobre cidadania. "Nosso maior combustível é o amor. Adoramos o que fazemos, não sentimos nem o estresse do trânsito quando estamos com eles". A rotina de Ana inicia cedo e não tem hora para acabar. "Já tive que auxiliar em casos de convulsão. Preciso parar e fazer o atendimento", relatou ela.
Para mediar situações como esta, o grupo ouviu profissionais especializados durante todo o dia no Centro de Educação Inclusiva e Acessibilidade (Ceia). Pela manhã, o fisioterapeuta Jivago Peres, da Associação Canoense de Deficientes Físicos (Acadef), demonstrou como transferir cadeirantes, segurar uma pessoa e os riscos de lesões para passageiros e motoristas em casos de transporte irregular.
A programação seguiu com a palestra de Audrey Silveira, da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Canoas e as professoras Deloni Siqueira e Kátia Simone Gonçalves.
Rachel Duarte