A cor branca, simbolizando a caminhada pela paz, foi a maior, mas não a única, unanimidade na 3ª Procissão em Homenagem a Ogum e São Jorge, realizada na tarde deste domingo, 26, no centro de Canoas. Com o lema 'Contra a violência, em busca da paz', representantes de entidades religiosas tomaram as ruas centrais na procissão que reuniu mais de 300 fiéis de diferentes crenças.
O Santo Guerreiro foi o unificador dessa caminhada, que teve início com uma concentração na Praça do Avião, por volta das 15h30. Cantos e uma breve solenidade, com a presença do prefeito Jairo Jorge, marcaram a abertura do evento. "São Jorge foi um homem que enfrentou com coragem os desafios de seu tempo. Hoje há outros dragões, como a corrupção, o medo e a incerteza. Que a força do Santo Guerreiro nos inspire com coragem e determinação", declarou o prefeito. O frei Luciano, da Paróquia São Pio Décimo, do Mathias Velho, lembrou a história de São Jorge e sua fé e, na sequência, convidou os presentes a darem-se as mãos e rezar o Pai Nosso.
Além da aliança contra a violência e pela paz, tema da procissão neste ano, a diversidade de adeptos - Ogum na umbanda e São Jorge no catolicismo - foi destacada pelos presentes. "Está havendo mais integração. Antes, era só a umbanda; agora, temos vários líderes. Isso fortalece a tolerância religiosa", avalia mãe Rose Xangô. Dona de uma casa de umbanda no bairro Harmonia, ela foi uma das mais de 80 lideranças religiosas que participaram da procissão, a maioria vestidas com traje religioso.
Para frei Luciano, ter fé é mais importante do que a opção religiosa. "Perguntaram certa vez ao líder Gandhi qual era a melhor religião, e ele respondeu: é aquela que te faz feliz", lembra ele. Mesmo com participação mais breve, o líder da Igreja Quadrangular, bispo Sólon, elogiou o espírito da iniciativa. "Me senti honrado pelo convite", declara. Minutos depois ele participaria do toque do sino de largada da procissão. Católicos, umbandistas e espíritas também integraram o ato simbólico.
Cerca de 60 cavaleiros, de oito Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) da cidade, marcharam na frente dos caminhantes. Logo atrás, o carro de bombeiros carregava a estátua de Ogum. Outro veículo menor conduzia uma estátua semelhante, simbolizando a fé católica em São Jorge.
Em cima de um grande carro de som, integrantes dos cultos presentes davam ritmo à procissão, com palavras e cantos. Por um outro microfone, o coordenador das Políticas de Diversidade da Administração Municipal, Paulo Ambieda (Paulinho D' Ode), orientava e fazia os chamados aos fiéis.
Marcada por uma chuva de pétalas vermelhas e brancas, a procissão percorreu a Rua 15 de Janeiro e atravessou o centro da cidade até o Sindicato dos Metalúrgicos, na esquina da Rua Caramuru. No ginásio dessa entidade, foi realizada outra rápida solenidade. O evento foi encerrado com um culto umbandista.
Ronaldo M. Botelho