A situação do acúmulo de lixo em um terreno baldio de uma rua do bairro Rio Branco ilustra, de maneira extrema, os altos gastos públicos e a indignação da comunidade local com a prática do descarte irregular em vazios urbanos: desde março, é a 10ª vez que equipes da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e a Subprefeitura Sudoeste realizam a limpeza do local. Em cada vez, recolhendo a média de 12 caçambas.
Na tarde desta terça-feira, 28, mais uma vez a equipe da subprefeitura e da Secretaria de Serviços Urbanos estiveram retirando quase sete caçambas de galhos, caliça (sobras de construção) e até animais mortos na Rua João Becker. Conforme o subprefeito da região sudoeste, Pedro Bueno, a comunidade também precisa colaborar, sendo parceira do poder público para superar esse tipo de problema. "É importante que o pessoal colabore, comunicando quando enxergar esse tipo de prática", recomenda.
Moradores que residem próximo ao terreno queixam-se dos problemas sanitários e estéticos gerados por esse tipo de prática, considerada também um problema cultural. "Estou desnorteado. Sabemos que a limpeza pública faz o trabalho, mas essa situação vem se arrastando há muito anos. Há dias que não dá para aguentar o mau cheiro, com ratos e moscas ali", dispara o empresário José Pedro Lenhoardt, que tem uma transportadora próximo ao local. "É uma situação péssima para o bairro. Em seguida, a prefeitura vem aqui limpar", reconhece Chirlei Silva, dona de casa que reside no bairro.
A ação da prefeitura em torno desse problema tem se tornado mais rigorosa a partir dos mutirões do choque de limpeza. "Limpamos, mas daqui uma semana pode estar pior. E isso representa custo para os cidadãos", lembra José Cardoso, da equipe coordenadora do Choque de Limpeza. Líderes comunitários locais também têm apoiado o trabalho da prefeitura. "É um caos em termos de cuidado com a cidade. Falta uma consciência coletiva", desabafa o presidente do Conselho dos Moradores do Bairro Rio Branco" (Consecom). Conforme ele, o assunto tem seguidamente sido tratado nas plenárias da entidade.
De acordo com o vereador Aloísio Bamberg, presidente da Comissão de Obras e Serviços Públicos da câmara, a aprovação da Lei nº 5382, já sancionada pelo prefeito Jairo Jorge e que entra em vigor em 60 dias, foi uma conquista importante para a cidade. Com essa regulamentação, serão padronizados os cercamentos dos terrenos baldios e aplicada com rigor a legislação municipal que pune esse tipo de descarte e práticas similares em outras áreas públicas. "Felizmente, a proposição chegou na câmara e foi aprovada logo", declara.
Ronaldo M. Botelho