A relação entre os debates e previsões das várias edições anteriores do Fórum Social Mundial com a atual crise financeira internacional foi uma das tônicas da reunião dos prefeitos e outras lideranças, ocorrida na última quinta-feira de abril, em um restaurante do mercado público de Porto Alegre.
Durante a reunião, organizada para a divulgação preliminar desse evento, os prefeitos das cidades envolvidas elogiaram a sua perspectiva 'Policêntrica'. "É hora de pensar e apontar caminhos para transformar a rebeldia do passado em alternativas para a melhoria das condições de vida nas cidades", observa o prefeito Jairo Jorge.
Previsões e Caminhos
Destacando os efeitos da crise financeira internacional, previstos em edições anteriores do Fórum Social Mundial (FSM), o professor Oded Gragew, da delegação nacional do evento, apontou que as análises realizadas nas edições do Fórum estão em sintonia com as transformações do mundo e precisam ser ouvidas devidamente. "O mesmo processo que levou à bancarrota financeira, pode levar à bancarrota ambiental, que é 1000 vezes pior", observa.
A 10.ª edição do FSM, que tem como princípio debater e apontar rumos para um modelo de desenvolvimento social mais justo e solidário, deve ocorrer de forma inovadora no próximo ano. Mais do que retornar ao RS, Estado que germinou essa experiência, a proposta considerada é a sua realização simultânea em três cidades do Vale dos Sinos e na Capital.
Previsto para ocorrer entre os dias 27 dezembro e 31 de janeiro próximo, o Fórum vai ter como tema o seu espaço geográfico: 'Fórum Social 10 Anos, Grande Porto Alegre'. "Se as grandes correntes tivessem visto as questões debatidas, talvez não tivéssemos caído na crise que caímos. Isso foi detectado já na primeira edição do Fórum", nota o vice-prefeito de Porto Alegre, José Fortunatti.
Durante essa recente reunião, os palestrantes também destacaram a relação das decisões do Fórum com a nova conjuntura da América Latina, onde ex-protagonistas dos movimentos sociais assumiram como governantes. "O cenário político mudou muito na América Latina. Não é a toa que nessa região os impactos da crise foram menos negativos", analisa. A atenção dos Estados Unidos ao evento também foi notada por Gragew. "Uma das surpresas foram as presenças das delegações norte-americanas no Fórum", diz.
O encontro também contou com a participação de outras lideranças, como o presidente da CUT/RS, Celso Woyciechowski, o ex-deputado federal Marcos Rolin, o deputado estadual Elvino Bohn Gass e o secretário municipal de cultura de Canoas, Jéferson Assunção. Uma plenária organizativa do Fórum está agendada para o dia 20 de maio, na Igreja Pompéia, em Porto Alegre.
Ronaldo M. Botelho