A problemática das drogas, principalmente o crack, vista sob a ótica da segurança, saúde, assistência social e educação, foi o foco da reunião promovida pela Associação dos Municípios da Grande Porto Alegre (Granpal), realizada na manhã desta terça-feira, 12. O encontro visou a troca de experiências e a elaboração de soluções conjuntas nessa área para a Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA).
O debate com os prefeitos e técnicos dos 11 municípios que fazem parte da instituição, contou com explanações, depoimentos e propostas, que serão pontuadas e formalizadas durante reunião do corpo técnico da Granpal. a realizar-se na próxima terça-feira.
Conforme explica o coordenador executivo da Granpal, Roque Bakof, a ideia é estabelecer a incubência da cada município. A qualificação dos agentes envolvidos, assim como solicitação à Secretaria da Segurança Pública do Estado para obter um mapa de ocorrências no Estado, foram consenso entre os participantes. Com o mapeamento, conforme avaliaram, será mais fácil investir em ações concretas.
O prefeito de Canoas Jairo Jorge, 1º vice-presidente da Granpal, propôs ao grupo a construção de uma rede de informações, bem como uma campanha conjunta entre os municípios, tendo como foco a prevenção. Uma rede de proteção, acolhimento e tratamento também foi sugerida pelo prefeito. "A fragmentação é o grande problema. A nossa força se dá pela nossa capacidade de coesão'', avalia.
O presidente da Granpal e prefeito de Santo Antônio da Patrulha, Daiçon Maciel da Silva, destacou a importância do debate para que as ações sejam implementadas. Para todos os prefeitos e seus representantes, é fundamental que o poder público ocupe seu espaço, não deixando que a violência tome conta das cidades. Todos fizeram colocações, deram sugestões e destacaram as ações realizadas em suas cidades.
O secretário de Educação de Canoas, Paulo Ritter, tratou do assunto lembrando que o crack é uma epidemia contemporânea. Ele ainda monstrou imagens revelando a degradação física dos usuários. Entre as propostas, Ritter avaliou a importância de estimular a auto-estima dos jovens e explicou o projeto escola comunidade, que será desenvolvido na cidade.
O uniforme que será adotado em toda rede pública municipal, como forma de diminuir a desigualdade e de identificação dos alunos, foi outro ponto ressaltado pelo secretário.
Sob a ótica da saúde, a vice-prefeita e secretária de saúde, Beth Colombo, solicitou a psicóloga e gestora da Unidade de Saúde Mental de Canoas, Rosane Ker, que detalhasse o tema. Com números impressionantes, Rosane foi explicando a ação da droga no organismo dos uruários. Enquanto o efeito da cocaína leva de 10 á 15 minutos para ser percebido, o crack demora em média de 10 à 15 segundos.
Conforme a especialista, o usuário de crack fica cerca de cinco minutos sob efeito da droga, enquanto a cocaína o tempo é de 45 minutos. Em um mês o dependente pode perder em torno de 10 quilos, pois a droga inibe o apetite. De cada 10 usuários de cocaína dois podem se tornar dependentes químicos. Com o crack, a dependência é total, ou seja, de cada 10 usuários, todos se tornam dependentes.
A intenção, conforme explicou Rosane, é ampliar o número de Centros de Atenção Psicossocial (Caps) na cidade. Atualmente, são quatro instrumentos de saúde mental; até o final de 2010, a meta é criar 11 Caps e 30 leitos no Hospital Nossa Senhora das Graças para tratar destes pacientes.
As drogas sob a ótica da segurança foi o enfoque do secretário de Segurança Pública e Cidadania, Alberto Koppitke. A qualificação da guarda municipal e o fortalecimento dos Gabinetes de Gestão Integrada, foram abordados por Koppitke. "Favorecer a ligação das diversas agências de segurança é fundamental'', analisa. A necessidade de informações para avançar nas soluções foi outro ponto debatido pelo secretário.
A secretária de Desenvolvimento Social de Canoas, Márcia Falcão, lembrou das atividades desenvolvidas pela Secretaria. Em abril foi organizado um Fórum Municipal de prevenção as drogas com a participação de 360 pessoas. O diretor da Secretaria do Trabalho, Assistência Social e Cidadania de Alvorada, Isac Batista, também salientou as ações desenvolvidas no município e das dificuldades encontradas.
Fernanda Hass