Cerca de 100 servidores municipais foram orientados nesta segunda-feira, 25, sobre como abordar as pessoas e aplicar os questionários da pesquisa de vitimização, adotada pela Prefeitura de Canoas como contribuição para o diagnóstico da violência na cidade. A capacitação aconteceu no Centro Integrado de Segurança e foi conduzida pelo consultor da pesquisa e mestre em Sociologia pela Ufrgs, Marcos Rolim.
A experiência de Rolim foi fundamental para nortear os funcionários que atuarão como pesquisadores no próximo final de semana. Em duplas, de preferência mistas, eles vão percorrer 55 pontos do município, definidos por meio de um mapeamento prévio e que será mostrado ao grupo nesta quarta-feira, 27. De acordo com Rolim, a responsabilidade dos servidores será vital para o sucesso da metodologia. "Essa pesquisa traz dados inéditos para a cidade, mas, requer seriedade dos pesquisadores.
A atuação em casais é outro fator importante, já que, busca vítimas de violência e/ou abuso. Mulheres entrevistam mulheres e homens os homens, para evitar constrangimentos", salientou.
O especialista esclareceu dúvidas e orientou quando aos cuidados com a segurança dos entrevistados. Ele falou que a Guarda Municipal e a Brigada Militar farão rondas e poderão ser acionadas em casos de urgência, o que, segundo Rolim, dificilmente acontece.
Serão dois tipos de questionários: um adulto e outro para adolescentes, ambos divididos em duas partes. Na primeira serão coletados dados preliminares. Já na segunda, as perguntas são direcionadas a crimes, abusos ou qualquer outro tipo de violência que a pessoa tenha sofrido.
Para a educadora que atua como assistente social, Marisa da Cunha, a metodologia não assusta, pois é parecida com sua prática diária. "Estou acostumada a abordar as residências", ilustrou. A colega, Ieda Lusia Barbosa, complementou afirmando que a realidade que pode ser revelada não será novidade. "Conhecemos bem o que é a violência e temos noção de que ela está em muitos lares, infelizmente. Presumo de que os índices não revelados vão ser altos", projetou.
É a primeira vez que uma cidade do Estado realiza uma Pesquisa de Vitimização ampla conjugada com um estudo do perfil dos homicídios praticados. Ao longo da semana os funcionários farão um simulado para testar a metodologia. No próximo final de semana, cada pesquisador deverá aplicar a pesquisa em 20 pessoas, totalizando pouco mais de dois mil questionários.
A previsão é de que dois finais de semana sejam o suficiente para coleta dos dados. A intenção da Secretaria de Segurança Pública e Cidadania é estar com o diagnóstico da violência na cidade até o início de julho.
Rachel Duarte