Os jovens do bairro Guajuviras que estiveram na tarde desse sábado, 30, no ginásio de esportes do Caic foram os primeiros a acompanhar as manifestações artísticas e culturais do 1º Encontro Hip Hop Pela Paz de Canoas. O projeto terá continuidade nas outras regiões do município, ainda sem data definida. Ao final da rodada de encontros, a meta da Coordenadoria de Políticas de Igualdade Racial é criar uma associação que estimule as comunidades a inserir na cultura e na rotina os movimentos inclusivos e de estímulo à arte e às atividades de origem afrodescendente.
"O evento tem o objetivo de valorizar os talentos locais, promovendo a integração entre o poder público e a população, principalmente a juventude negra. Essa também é uma forma de prevenir a marginalização e a adesão de crianças e adolescentes no vício do crack", salienta a coordenadora municipal de Políticas de Igualdade Racial, Maria Aparecida de Lima Mendes. Em sua manifestação para o público presente, Cida destacou a importância do hip hop na luta pela resistência cultural dos negros, tanto no Brasil como em outros países.
Palestras que abordaram o tema das drogas, a história da música chamada "black", apresentações de grupos de dança, de cantores e apresentações de dj's e mc's fizeram parte da programação do encontro. Os especialistas em beat box, que é a arte em reproduzir sons de bateria com a voz, boca e cavidade nasal, também estiveram presentes.
Os dançarinos do grupo Anjos de Preto, que têm entre 13 e 16 anos, comentaram que as pessoas que integram os movimentos rap e hip hop são muito unidas, que sempre dão força umas para as outras e que são uma verdadeira família. "Sofremos muito com a falta de espaço para ensaios e apresentações. Esse evento está abrindo portas para nós", declara Ricardo Corrêa Nascimento.
Ao assistir às apresentações, a coordenadora municipal disse estar emocionada, pois, segundo ela, esse é o passo inicial de um projeto ambicioso, que pretende unir as forças da comunidade a partir de encontros temáticos. "Também iremos incentivar os artistas do samba, do pagode e do teatro com ações baseadas nessa que está acontecendo hoje", complementa Cida.
Mariela Carneiro