Mais de 200 pessoas participaram, no centro de Canoas, de uma caminhada com destino ao 1º Seminário Melhor Idade na Paz, que ocorreu nesta segunda, 15, Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa.
Cantando animadamente, os grupos de convivência da terceira idade, maioria entre os integrantes da ação, foram aplaudidos por diversos pedestres e comerciantes durante o percurso. A comitiva partiu da Praça da Emancipação, em frente à Prefeitura Municipal, em direção ao Salão de Atos da Unilasalle, local onde ocorreu o encontro.
Uma manta branca alusiva à paz foi entregue a quem estava presente. "Cerca de 90% dos maus tratos aos idosos ocorrem dentro de suas próprias casas. Esse é um agravante do problema, pois, por causa do laço afetivo, eles silenciam", enfatiza a coordenadora municipal de Inclusão e Acessibilidade, Ony Teresinha.
A coordenadora ressalta que a principal intenção do seminário é sensibilizar os cuidadores, pessoas que atuam no atendimento direto aos mais velhos. É o caso das entidades assistenciais e dos serviços de saúde. De acordo com Teresinha, ao transmitir esse alerta aos cuidadores, eles podem multiplicar para os idosos a importância de denunciar.
Guarda Municipal há 34 anos, Irdo do Nascimento, 60 anos, estava orgulhoso e emocionado por ter sido escalado para fazer a segurança do evento. "Estar ao lado dos idosos nesse momento é muito importante para mim. Vejo a união deles como um passo fundamental no combate à violência. Eles merecem todo o respeito por tudo que já passaram e o que acontece é justamente o contrário", afirma Nascimento ao lado da colega Inês Ribeiro da Silva, de 62 anos, efetiva da guarda há 19.
Juntamente com a Coordenadoria de Inclusão e Acessibilidade, o Conselho Municipal do Idoso e as secretarias de Desenvolvimento Social, Saúde, Segurança e Esporte e Lazer promoveram ações alusivas à data. A secretária de Desenvolvimento Social, Márcia Falcão, destaca que não é apenas a violência física que deve ser combatida.
"Essas pessoas sofrem muito com a exploração financeira, humilhação e torturas psicológicas. Os grupos de convivência são uma alternativa para superar os problemas e um espaço para eles reconhecerem seus direitos e sua cidadania", ressalta Márcia.
Em Canoas, a população pertencente à terceira idade atinge cerca de 35 mil pessoas; destes, aproximadamente 3 mil participam dos grupos de convivência e 575 idosos residem em casas de abrigo permanentes.
Mariela Carneiro