Um misto de emoção e alegria marcou o palco do auditório Euclides da Cunha, montado na Praça da Bandeira. Na tarde desta quinta-feira (25), atores da peça teatral Planeta Azul e público interagiram durante toda a apresentação. Seria uma peça como qualquer outra, não fosse um detalhe muito especial: todos os atores são deficientes visuais. Por isso, desta vez, as palmas foram mais fortes para reconhecer o talento e a força de vontade destas pessoas que enfrentam todos os dias algum obstáculo com coragem e determinação.
Interpretando o personagem "croco", o jovem Douglas Agranaid, 19 anos, se sentiu realizado após o término da apresentação. Há sete anos na Associação de Deficientes Visuais de Canoas (ADEVIC), ele ficou extasiado com o reconhecimento do público. "As palmas significam muito para mim, pois antes de entrar no grupo eu tinha a autoestima baixa, medo de sair de casa e de me locomover", falou ele. No papel de lenhador estava o estudante Diego Damião Fernandes, 17 anos. Ele também se surpreendeu com o carinho da plateia. "Sabíamos que seria esse sucesso, mas não tão forte. Posso apresentar de novo pois estou com o texto na ponta da língua", fez questão de ressaltar o rapaz, ao lado da mãe.
A professora Vera Neuhause, que ensaiou o grupo, conta que os ensaios eram freqüentes e adorou o resultado. "Tínhamos encontros semanais de quatro horas e é muito bom ver o quanto eles se empenharam para surpreender as pessoas que vieram até aqui para vê-los", disse emocionada. Durante meses, eles não só ensaiaram como também trabalharam sobre lixo orgânico e outras questões ligadas ao meio ambiente.
Ao término da apresentação, a aposentada Vera Lucia Lopes, 57 anos, também deficiente visual, saiu da plateia e se juntou ao grupo para celebrar o sucesso da peça. "É emocionante perceber o quanto nós, mesmo portadores de necessidades especiais, conseguimos nos superar", finalizou ela.
Cris Weber