Na noite desta quinta-feira, 26, a 25.ª Feira do Livro de Canoas transportou seus participantes, da leitura, para uma órbita internacional. Com a presença do 'Papa'do software livre, o norte-americano Richard Matthew Stallman, o debate da democratização total da informática foi apresentado a estudantes canoenses, desde o ensino fundamental ao universitário.
"É para esse público que precisamos uma atenção especial", nota o secretário municipal de cultura, Jéferson Assumpção, no começo do evento, enquanto aponta para a platéia, repleta de jovens na faixa de 15 anos, do programa Pró-Jovem Urbano. Na abertura da palestra de Stallman, o maestro Otavio Longui, encantou os jovens presentes com composições de Luiz Vieira e Dorival Caymmi, pelas vozes dos Coral de Veteranos do Lasalle. "Nunca tinha assistido algo assim", declara a estudante Anelaine Barbosa Teixeira, do Núcleo Rio Branco.
Ainda antes do convidado principal falar, o membro do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, Antonio Martins, apresentou a temática a ser tratada aos presentes, além de convidar à todos para a próxima edição do FSM, que volta a acontecer em Porto Alegre no início do próximo ano.
A platéia contou com tradução simultânea, mas o palestrante preferiu se expressar em espanhol. Em um tom didático, Stalman apresentou os fundamentos do software livre, através de quatro princípios, por ele sustentados desde o início dos anos 80: Liberdade para usar, alterar, copiar e distribuir.
Para isso, contextualizou essas práticas, através de uma analogia com a forma de distribuição das grande corporações, cujas práticas foram duramente criticadas por ele. "Chamar de pirataria a o ato de compartilhar para ajudar o próximo, é falso. Compartilhar é bom; e Pirataria equivale a atacar barcos, o que é mal". O palestrante também notou os problemas de controle e restrição que os softwares comercializados impõe aos consumidores. "Se você dá à uma empresa o poder sobre ti, o que ela fará? Vai usa-lo para ter mais e mais poder, até se tornar o poder absoluto", alerta.
Mais de 500 alunos de todos os núcleos desse programa, além de acadêmicos da Ulbra, Unilasalle, IPUC - entre outras instituições - lotaram o salão de eventos da Unilasalle. "Muitos que estão aqui, sequer mexem em um computador; trabalhamos muito esse assunto, para inserir-lhes no mundo", declara entusiasmada Patrícia Batista, professora de inglês no núcleo Guajuviras do Pro-Jovem.
Para o professor de informática Ronan Mairesse, são várias as vantagens de utilizar um software livre. Dentre elas, ele cita a rapidez, funcionalidade e compatibilidade. "Além de compatível, o Linux (modelo difundido por Stallman) permite indicar qual sistema operacional se pretende usar; já, o Windows, é fechado", compara.
Lecionado há 13 anos no ramo da informática, Mairesse nota faltar mais abertura nas escolas sobre os programas livres, especialmente da parte de professores. "Há um preconceito muito grande, por falta de conhecimento", aponta. A palestra estendeu-se por cerca de 2h30min. A Feira prossegue até o dia 04 de julho, com intensa programação e diversas atrações.
Ronaldo M. Botelho