O bairro Guajuviras recebeu nesta sexta-feira, 3, a terceira e penúltima etapa das Pré-Conferências da Criança e do Adolescente de Canoas, que antecedem a etapa municipal nos dias 22 e 23 de julho.
O encontro, que aconteceu no Caic, reuniu cerca de 150 jovens engajados em discutir com especialistas os cinco eixos trabalhados neste ano: promoção e universalização de direitos em um contexto de desigualdade; proteção e defesa no enfrentamento das violações de direitos humanos de crianças e adolescentes; fortalecimento do sistema de garantia de direitos; participação de crianças e adolescentes em espaços da construção da cidadania e gestão de política.
O evento é uma realização do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Canoas (Comdica), com o apoio da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Social. De acordo com o vice-presidente do Comdica, Luiz Augusto Farofa da Silva, a participação dos jovens nas discussões está possibilitando um panorama completo das reais necessidades deste público alvo. "Estamos notando um engajamento nunca antes visto no município, onde eles trazem sugestões e abordam as problemáticas com maturidade e responsabilidade", pondera.
A conferencista desta edição foi a presidente da ONG Amigos de Lucas, que coordena apadrinhamentos afetivos e outros tipos de adoção na Capital. Para ela, mais do que ter uma família, é preciso saber que todos têm direito à proteção, o que muitas vezes crianças e jovens não encontram dentro de casa. "Muitos desconhecem o quanto a estrutura familiar determina os caminhos pelo qual o jovem vai seguir. Seja através de uma tia, um primo, qualquer parente, todos têm o direito do afeto garantido", explica ela.
E a perspectiva sobre esta realidade vai além do carinho recebido por familiares, compreendendo também o papel social que cada um desempenha no círculo social que integra.
O estudante Gabriel Andrade dos Santos, 12 anos, que participou da pré-conferência no bairro, estava consciente do quadro grave que as drogas representam para a sociedade e quer que o assunto seja amplamente discutido na conferência municipal. "Eu acho que as drogas fazem muito mal, por isso eu não fico em esquinas, vou à escola, mas acho que tem muita gente fraca que não consegue ver isso. Eu tenho muita pena dessas pessoas", lamenta o menino, que apresentou um número de capoeira com demais colegas.
Com um pandeiro na mão, ele acredita que um dos principais caminhos para fugir de entorpecentes é a música. "Gosto de lutar capoeira e tocar instrumentos, ajuda a ocupar a cabeça", ensina. A última pré-conferência será realizada na próxima sexta-feira, 10, no quadrante noroeste.
Cris Weber