"A coordenadora está fazendo um excelente trabalho aqui. O colorido da Confederação deve doer nos olhos de nossas elites, porque esse é o colorido de nossas desigualdades". A declaração foi realizada na tarde desta terça-feira, 7, pela secretária da Federação Árabe Palestina do Brasil, Fátima Ali, durante a reunião realizada para relatos sobre a participação dos delegados de Canoas na II Conferência Nacional de Igualdade Racial - II CONAPIR, realizada entre os dias 25 à 28 de junho em Brasília.
O encontro ocorreu no plenário da Câmara Municipal de Vereadores e reuniu depoimentos dos três delegados participantes no evento. A ativista pela causa palestina apresentou dados sobre a condição de exclusão e perseguição dos árabes em sua terra e no mundo. "Somos nove milhões no mundo, mas não querem que mantenhamos nossa cultura. O que ocorre hoje nos territórios ocupados na faixa de gaza é uma limpeza étnica", denuncia.
A líder da Fepal também destacou a importância da criação da Copir em Canoas, e da comunidade árabe-palestina se integrar a esse movimento pela igualdade racial no município. "Reconhecemos que esta coordenadoria é uma vitória do movimento negro, entramos na rebarba. Para nós, Canoas é muito especial. Temos aqui uma grande população de palestinos", nota.
A participação da representante da Fepal no encontro partiu da Coordenadoria de Igualdade Racial de Canoas (COPIR) e se insere na política de ampliação dos segmentos sociais nessa instância da Administração Municipal. "O que estamos vivendo hoje aqui é um momento de construção", ressalta a titular da COPIR de Canoas, Maria Aparecida Lima Mendes.
União e Reconhecimento
Para a professora Adiles da Silva Lima, uma das delegadas que esteve na conferência em Brasília, a aglutinação de diversas minorias é parte do processo de afirmação da igualdade racial no País. "Quando atuamos pela nossa causa, a do movimento negro, trazemos junto todos que são excluídos", observa.
Ao mesmo tempo em que elogiou a iniciativa do encontro e a importância de disseminar seus resultados, Adiles criticou o a preparação no encontro regional no estado. "Somos 50% da população, mas quem organizou o evento aqui foi o governo do estado, que a delegou a poucos, não-engajados", observa.
Especialista em cultura afro, a ativista também comentou a necessidade de se fazer valer a lei 10.639/2003, que tornou obrigatória a temática "História e Cultura Afro-Brasileira" no ensino fundamental e médio. "Criam estereótipos e nós, negros, vamos sendo levados por eles", alerta.
Além de Adiles da Silva Lima, deram seus realatos sobre o II COPIR nacional os ativistas Pai Neco de Oxum, que enfatizou as questões relativas à livre expressão religiosa dos cultos afros, e Isabela Cristina Genelício, abordando, partir de sua experiência em Canoas, os efeitos e desafios do Decreto 4887/2003, que prevê os direitos das comunidades quilombolas.
Também participaram da reunião os titulares das Coordenadorias de Relações Comunitárias, Oli Borges, de Políticas para a Diversidade, Paulinho D\'Odé, e a asessora da Coordenadoria das Mulheres, Jacira Ruiz, além de outras lideranças do movimento negro e de organizações civis vinculadas à questão da igualdade racial.
Ronaldo M. Botelho