'Levar as políticas públicas a todos os grupos sociais, com respeito às diferenças'. Esse é o princípio que tem norteado as ações da Coordenadoria Municipal da Diversidade de Canoas, cuja mais recente conquista é a criação da ONG de livre orientação sexual Bem-Me-Quer.
A fundação dessa entidade, que é resultado de uma articulação da coordenadoria com lideranças que militam por este público, visando melhor contemplá-lo pelas políticas públicas, ocorre no próximo sábado, às 16h, no Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas. "Ao invéz de livre expressão, preferimos o conceito de orientação; 'orientar' e 'orientar-se' tem uma conotação mais aberta, no enfoque da saúde, educação e cultura", explica o titular dessa pasta, Paulo Ambieda - o Paulinho D' Ode.
Diálogo e inclusão
Como resultado das primeiras ações dessa ONG, ainda em processo de fundação, Ambieda destaca a distribuição de 20 mil preservativos na BR 116, ação em andamento pelos ativistas, além da participação na Parada Livre de Alvorada. O evento, que reuniu 30 mil pessoas no último domingo naquela cidade, é uma das iniciativas que a coordenadoria já tem data definida para realizar em Canoas: 08 de novembro. "A coordenadoria é uma ferrramenta de construção de políticas públicas; quem traz as demandas e ajuda a construir as políticas são os movimentos sociais", nota.
Desde o início do ano, a equipe de Ambieda tem atuado sobre duas frentes principais: as organizações religiosas e as minorias sexuais. No primeiro semestre, a Coordenadoria Municipal da Diversidade destacou-se por uma notável articulação de líderes de diferentes cultos, que teve reconhecimento e apoio dessas organizações. Além de um seminário sobre o tema, marcaram a atuação da coordenadoria vários inter-religiosos expressivos em datas marcantes, como foram as festas de Iemanjá - Navegantes e São Jorge - Ogun.
Com o grupo Bem-Me-Quer, começam a ser mais contemplada outra frente de ação na administração municipal, com diferentes segmentos. É o caso, por exemplo, dos profissionais do sexo, realidade expressiva na cidade. "Com o respeito e afirmação daquilo que nos une, estamos contemplando políticas a dois públicos de difícil diálogo entre si: religiosos e militantes pela livre orientaçaõ sexual", aponta.
Mais do que a representação política, Ambieda salienta a preocupação com outras necessidades nessas diferentes demandas da cidade. "Tudo vem do diálogo; quando há quebra de preconceito, quando se abre o diálogo com alguém, há disposição de conhecermos o outro, na cultura, na religião, na política, e demais campos", resume.
Ronaldo M. Botelho