Uma reunião entre representantes da Secretaria de Obras Públicas, das subprefeituras, do Instituto Canoas XXI e da Defesa Civil, na tarde desta segunda-feira, 10, definiu ações emergenciais para evitar novas cheias como as que atingiram a cidade no último final de semana. De acordo com informações do V Comar, enquanto na região metropolitana a precipitação de chuva foi de 27mm no sábado e 46mm no domingo, em Canoas a medida revelou que no mesmo período o volume foi de 44 e 49mm, respectivamente. Os números representam os mesmos índices esperados para todo o mês de agosto.
No encontro, o coordenador da Defesa Civil de Canoas, Mauro Guedes, afirmou que até sexta-feira, 13, cada subprefeito deverá indicar cinco integrantes das respectivas subprefeituras, que serão treinados durante dois dias para situações de vulto, envolvendo riscos à população. Cada indicado receberá um kit de emergência, composto por vestimenta e calçados adequados, além de outros itens de proteção. Um caminhão para resgatar famílias e um banco de alimentos também estão sendo providenciados, para deixar o município preparado para acolher eventuais desabrigados ou desalojados. "Estamos em alerta constante, montando estratégias de prevenção para o caso de uma nova enxurrada", pondera. A população também pode ajudar, entregando doações no Corpo de Bombeiros, na Avenida Santos Ferreira, 965, ou nas sedes das subprefeituras da região em que mora. Cobertores, colchões e agasalhos são as maiores necessidades.
Com os dados apontados por cada subchefe do executivo, que deverão ser entregues por escrito também até sexta-feira, integrantes do Projeto GeoCanoas irão desenvolver um mapa apontando os principais focos de alagamentos, para um estudo mais detalhado das áreas e das principais necessidades de melhorias, evitando novos transtornos. Com os mesmos dados e ouvindo relatos da comunidade, o Secretário de Obras Públicas, Alcy Paulo Oliveira, está monitorando as ações que equipes desenvolvem desde o início da precipitação. "Estamos limpando as valas, as galerias e as grades das casas de bombas. Com o hidrojateamento, podemos identificar canos quebrados e obstáculos diversos na rede pluvial", destaca. Até o momento, não há registro de desalojados ou desabrigados.
* A situação em cada quadrante
Região Nordeste - As obras realizadas pela Secretaria de Obras Públicas amenizaram o quadro de cheias na região, principalmente na Vila Comtel. Ainda assim, com o alto volume de chuvas, foi impossível evitar alagamentos nestes locais, principalmente nas Vilas Nancy Pansera, Nova Nancy e São João. O setor 6 também foi atingido, área onde são realizadas ações de limpeza de bocas de lobo. O subprefeito Chico da Mensagem apontou o CAIC como local para receber as famílias, caso fiquem desabrigadas.
Região Noroeste - O bairro Mathias Velho foi um dos mais atingidos. As Vilas Santo Operário e Natal tiveram pontos de alagamentos, com água entrando para os pátios das residências. Em algumas ruas do bairro Cinco Colônias, a água ficou 25 cm acima do nível do solo. O subprefeito Júlio Ribeiro definiu o Centro Social Urbano do Mathias Velho como um dos locais mais propensos a receber desabrigados ou desalojados.
Região Sudoeste - O subprefeito Pedro Bueno ficou perplexo com o que viu na Rua Ana Nery, no bairro Rio Branco. "Moro há 30 anos no bairro e não lembro de uma situação tão grave como essa". Para ele, a autoestima da população precisa ser trabalhada, para que todos tenham a consciência da gravidade a que expõem a região quando jogam lixo nas valas. No quadrante, as Ruas Edgar Fritz Muller, Alcides Nascimento, Machadinho e Cairu, onde a água chegou a 80cm, foram as mais atingidas. A Paróquia Santo Antônio e a Igreja Fátima são opções para o encaminhamento de pessoas que possam ficar sem as casas.
Região Sudeste - A região foi a menos danificada pela forte chuva. O subprefeito Paulo Accinelli aponta apenas alguns pontos de alagamentos, como na Rua João de Barro e Santo Augusto. Igrejas e escolas municipais receberão ofícios nos próximos dias, indicando a viabilidade de abrigar canoenses vítimas das cheias.
Cris Weber