Segundo dados divulgados pela UNESCO em 2008, a taxa de mortalidade de jovens entre 15 e 29 anos, por causas externas é de 70,3%, sendo que, no Rio Grande do Sul o número chega a 67%. Os dados foram apresentados por estudiosos e profissionais que trabalham com políticas públicas direcionadas à juventude e segurança pública no País, durante o Seminário de Preparação da Implantação do Protejo. O evento ocorreu na última sexta-feira, 14, no Centro Integrado de Segurança e foi o primeiro momento de discussão pré-execução do programa federal em um município.
Além de ser a primeira cidade a debater, Canoas foi a primeira cidade a ter a proposta de trabalho aprovada pelo Ministério da Justiça. A confirmação foi da cientista social e coordenadora nacional do Pronasci (Programa de Segurança Pública com Cidadania), Neuza Muller. Ela é responsável pela aprovação dos projetos e elogiou o canoense. "Esse seminário já é uma resposta da preocupação da cidade com a violência. O projeto apresentado por Canoas revela o esforço coletivo. Aqui hoje, temos representantes de diversas áreas da administração municipal e, isso é vital para o êxito do programa", considerou Neuza.
Durante todo dia, 50 profissionais da rede municipal ouviram Neuza e os demais palestrantes convidados. Entre eles, a assistente social e doutora em Direitos Humanos, Sinara Fajardo, que contextualizou a rede de atenção à juventude. Sinara apresentou algumas ambigüidades presentes no Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, bem como do Sistema Nacional de Medidas Sócio-Educativas. "Existem três janelas no processo: o excesso de reuniões, a documentação e a burocracia. Precisamos criar e articular as políticas, definir melhor as violações e os meios de reparação para os jovens e definir melhor as responsabilidades neste processo", problematizou.
Para o coordenador do Programa Esporte e Lazer da Cidade, o Pelc, Ricardo Gomes, a qualificação profissional é importante para o trabalho com programas sociais tão específicos como o Pronasci. "Ele engloba o Pelc, o Protejo e tantas outras ações numa mesma comunidade. Precisamos estar capacitados e conscientes do nosso trabalho. Não será fácil, mas, o desafio está lançado. As coisas estão acontecendo, os índices preocupam e precisamos fazer a nossa parte", avaliou.
Outro convidado a palestrar foi o presidente da Fundação de Atendimento Sócio-Educativo do Rio Grande do Sul, a Fase, Irany Bernardes de Souza. Segundo ele, a integração entre as instâncias governistas é outro elemento importante. "Os poderes municipal, estadual e federal precisam estar em sintonia. Muitos bons projetos se perdem devido à resistência de alguns governantes por questões partidárias. Eu represento o Estado aqui hoje, isso é um bom indicativo de que esta cidade se preocupa com a causa e não com os louros", salientou. Souza apresentou dados e sugestões para o trabalho com as crianças e adolescentes.
Este foi o primeiro de três seminários planejados para tratar dos projetos do Pronasci em Canoas. Os próximos serão sobre o Mulheres da Paz e Justiça Comunitária. O Pronasci integra mais de 50 ações em prol da diminuição da violência e criminalidade. Em Canoas, o primeiro bairro a ser contemplado será o Guajuviras, com lançamento marcado para 25 de setembro. O segundo será o Mathias Velho e os demais bairros sucessivamente. Outras informações sobre o Pronasci podem ser obtidas no site do Ministério da Justiça: www.mj.gov.br .
Rachel Duarte