Há 13 anos, famílias de uma área de invasão na Vila Nancy Pansera esperam por água dentro de casa. Com as torneiras vazias, os moradores se viram como podem. Caso da dona de casa Glaci Mello, 50 anos, que depende do poço artesiano da casa vizinha para coisas básicas do cotidiano, como cozinhar e tomar banho. Com a falta de autonomia, ela já passou dias sem água por causa da ausência do vizinho, que foi viajar. "É horrível depender dos outros por um serviço essencial para todos", desabafa. Daqui a aproximadamente duas semanas, no entanto, os transtornos na casa de Glaci, que também são os de aproximadamente 300 famílias, devem estar sanados. Em uma parceria entre a Corsan e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, começaram nesta segunda-feira, 24, obras de saneamento para a colocação de canos no local. O trabalho inicia na Rua Maria Faustina Correia, esquina com Denise Ossana, ampliando a rede de água em aproximadamente 2.100 metros de tubulação. A prefeitura disponibiliza as máquinas retroescavadeiras e a estatal entra com mão de obra, areia e os tubos.
De acordo com o Engenheiro e Coordenador Operacional da Corsan em Canoas, Joaquim Schuck, os trabalhos serão concluídos em até dez dias, em caso de tempo estável. Agentes da estatal fizeram um mapeamento de redes antigas, para substituir pelas novas e ligar os ramais, ou seja, as ligações para cada residência. Para otimizar o trabalho, a própria Corsan fará um cadastro prévio das famílias beneficiadas, para solicitar uma única ligação de água no local. "Assim, os moradores terão o serviço logo após as obras, sem a necessidade de um a um irem até a Secretaria solicitar o pedido de ligação", destaca. A Secretária-Adjunta de Habitação, Giovana Fagundes, afirma que a área é uma das que serão contempladas ao longo do ano, levando-se em conta o critério de urgência. "Estas são áreas consolidadas e temos que dar prioridade aos serviços essenciais que a população não só merece, como tem direito a usufruir". O Subprefeito da região Nordeste, Chico da Mensagem, considera a obra um resgate da cidadania. "É inadmissível que um cidadão chegue em casa depois de um exaustivo dia de trabalho sem poder tomar um banho. Aos poucos, vamos devolvendo a dignidade a estas pessoas", ressalta.
Cris Weber