A escolha do Guajuviras - bairro da periferia canoense - para marcar a assinatura do acordo entre o Ministério da Cultura e 106 municípios gaúchos, reflete a descentralização como um dos pontos fortes do programa Mais Cultura. A valorização e o acesso aos bens culturais pelas comunidades locais tem sido também uma marca na gestão municipal de Canoas, valorizada pelos artistas e produtores culturais. "Estamos muito felizes pelos editais estarem ao acesso das cidades, fomentando a produção local, o que favorece muitos grupos ainda excluídos", declara o ator Luciano Wieser, do grupo teatral canoense 'De pernas pro ar', que atua há 21 anos em apresentações locais e fora do Estado.
Com o espetáculo Equilíbrio, o grupo encantou os 85 prefeitos presentes na solenidade realizada nesta segunda-feira, 24, no Guajuviras, que teve a presença da coordenadora nacional do programa Mais Cultura, além de outros gestores do Ministério da Cultura. A prefeitura de Canoas tem realizado, através da Secretaria Municipal de Cultura, várias ações culturais nos bairros, que estão em sintonia com a orientação descentralizadora, como é o caso do Caravana Cultural e do Sacola Itinerante, ambas, iniciativas desenvolvidas pela atual gestão, com recursos próprios.
Para o titular da Secretaria Municipal de Cultura de Canoas, Jéferson Assunção, o Mais Cultura vem ao encontro dessa orientação disseminadora dos bens culturais. "Diversos bairros de nossa cidade, infelizmente, se encaixam perfeitamente nos critérios deste Programa, que visa dar condições para que em nosso país a cidadania se complete, e com a cultura em seu centro, com a cultura como fator e como finalidade do desenvolvimento social e econômico", analisa.
Citando números drásticos sobre a realidade do acesso a cultura no País, apurados pelo Ministério - como a falta de biblioteca em 661 municípios brasileiros e a existência de cinema em apenas 8% das cidades do País, a coordenadora do Mais Cultura observou que esse programa parte de duas premissas: que o desenvolvimento, para ser completo, tem que considerar a cultura e que a cultura é uma necessidade básica. "Esse é o tamanho do nosso desafio; e uma manifestação como a de hoje é um passo muito importante", salienta.
Ronaldo M. Botelho